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Perfeitos Desconhecidos entra e sai dos catálogos de streaming no Brasil, e o aluguel digital muda de mês a mês. Busque por Perfetti sconosciuti, o título original, e confira Paolo Genovese, 2016 e 97 minutos antes do play.
Cuidado com os homônimos: a versão espanhola de 2017 é de Álex de la Iglesia, e a mexicana de 2018 é de Manolo Caro. As duas aparecem na busca com o título em português.
Volte ao jantar. A mensagem das dez chega no celular que agora está diante de Lele. Não é a foto que ele temia. É Lucio, o namorado de Peppe, perguntando se o amigo já contou aos outros.
Lele, de repente, precisa passar por gay diante da mesa inteira, sem poder explicar a troca sem entregar o próprio caso. Carlotta reage com frieza, Cosimo faz piada pesada, e a mesa revela o preconceito que ninguém admitia.
Peppe assiste calado. Quando a pressão aperta, confirma que Lucio é o namorado dele e diz que nunca contou porque já sabia o que ouviria. Lucilla, a namorada da febre, nunca existiu.
O resto da mesa desaba em sequência. Carlotta troca mensagens com um homem que pediu que ela tirasse a calcinha antes do jantar. Bianca descobre que Cosimo tem uma amante, Marika, e que Marika está grávida.
Os brincos que Eva usa naquela noite foram presente de Cosimo: os dois também tinham um caso. Bianca sai da casa sem o marido.
O momento mais terno vem de Rocco. Sofia liga pedindo conselho, porque o namorado quer que ela durma lá. O pai, no viva-voz, diz que a decisão é dela e que, se quiser voltar, basta ligar. A mesa escuta calada.
O roteiro gira em torno de uma frase que circula há anos, dita pelo escritor colombiano ao biógrafo dele:
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“Todos têm três vidas: uma pública, uma privada e uma secreta.” (Gabriel García Márquez a Gerald Martin, em Gabriel García Márquez: Uma Vida, 2008)
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O desfecho desmonta a noite inteira. A câmera volta ao começo da noite: Eva propõe o jogo, Rocco recusa, e ninguém põe o celular na mesa. Tudo o que vimos foi o jantar que poderia ter acontecido.
Os casais descem a escada abraçados, sem saber de nada. Lele recebe a foto que esperava. Peppe vai pra casa sozinho, sem ter contado de Lucio. O eclipse termina, e os sete seguem perfeitos desconhecidos.
1. Confira direção, ano e duração antes do play: Paolo Genovese, 2016 e 97 minutos.
2. Na troca por baixo da toalha, repare quem fica com qual aparelho: a confusão das dez nasce ali.
3. No último plano, compare os casais com a chegada: ninguém mudou, e o filme quer que você note.
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Play às 20h30, sete celulares no meio da mesa e um eclipse que dura o jantar inteiro.
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“Na sua mesa, quem toparia deixar o celular virado pra cima?”
Na próxima edição: Relatos Selvagens, de Damián Szifron, 2014, e a noiva de Buenos Aires que descobre a traição na própria festa.
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