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O programa de hoje é O Segredo dos Seus Olhos, disponível em serviço por assinatura e também por aluguel avulso nas lojas digitais, 129 minutos. Play às 20h30 e ponto final às 22h39. Falado em espanhol, com legenda e com faixa dublada em português, direção de Juan José Campanella, coprodução argentina e espanhola de 2009.
A premissa começa numa aposentadoria mal resolvida. Benjamín Espósito passou a vida como escrevente de um juizado de instrução em Buenos Aires, saiu do prédio sem saber o que fazer das manhãs e decide escrever um romance sobre o único caso que nunca conseguiu deixar quieto. Ele volta ao tribunal, procura Irene, que hoje ocupa o gabinete de juíza, e pede as pastas antigas.
O caso é de 1974. Uma jovem professora aparece sem vida no apartamento onde morava com o marido, um funcionário de banco chamado Ricardo Morales, e a delegacia entrega o inquérito resolvido em poucas horas, com dois operários da obra vizinha apanhados na base da conveniência. Benjamín recusa a versão pronta e assume a instrução por conta própria.
O caminho até o suspeito passa por um álbum de família emprestado pelo viúvo. Nas fotos de aniversário e de festa de rua no interior da província, sempre no canto do quadro, existe um rapaz olhando para a moça com a cara de quem não olha mais para nada. Chama-se Isidoro Gómez, foi para Buenos Aires antes do crime e desapareceu do endereço logo depois.
Sandoval, o parceiro de repartição que passa metade do expediente no bar, é quem transforma a intuição em plano de busca. Se o homem trocou de nome, de bairro e de emprego, resta o que ele não troca: o time de futebol. A partir dessa aposta, a investigação inteira muda de lugar e vai parar numa arquibancada.
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"O passado nunca está morto. Nem sequer é passado."
William Faulkner, Réquiem para uma Freira, 1951
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A sequência do estádio dura cerca de cinco minutos e não tem corte visível. A câmera chega por cima do campo do Huracán, num plano aéreo noturno, desce em direção à arquibancada, encontra os dois investigadores no meio da torcida, acompanha uma perseguição pelos corredores, entra num banheiro e termina no gramado. O time de efeitos costurou tomadas de helicóptero, cenário digital e um número modesto de figurantes multiplicados por computador.
A escalação tem uma escolha ousada no meio. Ricardo Darín e Soledad Villamil sustentam a linha do romance travado entre o escrevente e a chefe, e Guillermo Francella, conhecido na Argentina por décadas de comédia leve na televisão, entrega o parceiro alcoolizado e leal que dá ao filme as duas cenas mais engraçadas e a mais dura.
O reconhecimento foi grande. A Academia de Hollywood deu ao filme o prêmio de melhor produção estrangeira em 2010, batendo o favorito francês daquele ano, e a Academia espanhola entregou o Goya de melhor filme falado em espanhol da América Latina. Na Argentina, foi a bilheteria mais vista da temporada.
O aviso de tom é necessário. Existe cena de violência sexual, execução mostrada e um pano de fundo político desconfortável, com o aparelho de repressão dos anos 70 protegendo quem devia responder. Quem quer uma quinta à noite leve vai encontrar duas horas de peso constante, com humor entrando só como alívio curto.
Para a noite, o encaixe é razoável em dia de semana, com um porém. São 129 minutos sem corte natural no meio, então quem aperta o play às 20h30 termina às 22h39 e precisa aceitar o compromisso inteiro. Não é filme para deixar rodando enquanto se responde mensagem, porque o desfecho depende de um detalhe visual plantado no primeiro terço.
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