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O programa desta noite é RRR (sigla de Rise, Roar, Revolt, “erguer, rugir, revoltar”), épico em télugo de S. S. Rajamouli lançado em 2022, com 187 minutos. Play às 20h e créditos finais às 23h07.
Rajamouli é o diretor mais rentável do cinema télugo, a indústria com sede em Hyderabad que a imprensa indiana chama de Tollywood. Antes de RRR, dirigiu os dois filmes da saga Baahubali, de 2015 e 2017, que levaram o cinema do sul da Índia às salas do mundo inteiro.
A história se passa em 1920, na Índia sob domínio britânico. Bheem (N. T. Rama Rao Jr.) sai da floresta para resgatar Malli, uma menina do povo gond levada à força pela mulher do governador inglês Scott Buxton. Raju (Ram Charan) é policial do Império e recebe a missão de capturar o forasteiro.
Os dois se conhecem salvando juntos um garoto preso sob uma ponte em chamas. Viram amigos sem saber que estão em lados opostos da mesma caçada.
O elenco de apoio traz dois astros de Bollywood (o cinema em hindi de Mumbai): Alia Bhatt faz Sita, a noiva de Raju, e Ajay Devgn aparece em flashback como o pai do policial. Os ingleses ficam com o irlandês Ray Stevenson, no papel do governador, e Alison Doody, no da mulher dele, a vilã que leva a menina embora.
Os rebeldes que nunca se encontraram
Os dois personagens existiram. Komaram Bheem foi um líder gond (povo indígena do centro da Índia) que enfrentou o governo do Nizam de Hyderabad e caiu em combate em 1940. Alluri Sitarama Raju comandou a Rebelião de Rampa contra os britânicos entre 1922 e 1924, até ser capturado e fuzilado pela polícia colonial.
Nenhum documento mostra que eles tenham se cruzado. Rajamouli contou nas entrevistas de lançamento que partiu dessa lacuna: imaginou os dois jovens convivendo por um tempo antes de virarem líderes, e escreveu o roteiro com o pai, o roteirista V. Vijayendra Prasad.
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RRR inventa a amizade de dois revolucionários de regiões e décadas diferentes e usa o encontro fictício como motor de três horas de ação.
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Naatu Naatu entra nessa fase da amizade. Raju leva Bheem a uma festa de oficiais, e um deles, Jake, humilha o convidado por não saber dançar salsa nem flamenco. Raju responde com a dança da terra deles, e a disputa vira teste de resistência em que os ingleses caem um a um.
O coreógrafo Prem Rakshith montou o passo mais copiado da cena: os dois atores lado a lado, um braço sobre o ombro do outro, os pés trançando no mesmo compasso. Na noite do Oscar, Keeravani resumiu a festa em verso, na paródia dos Carpenters:
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“RRR tinha que vencer, orgulho de todo indiano, e me pôr no topo do mundo.” (M. M. Keeravani, discurso na cerimônia do Oscar, 2023)
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Depois da dança, o filme vira. Raju se revela: entrou na polícia britânica para conseguir armas para a aldeia dele. Bheem é preso e açoitado em praça pública e canta Komuram Bheemudo, a canção mais dura do filme, sem se curvar.
No ato final, os papéis se invertem, e Raju aparece vestido como o deus Rama, com arco e flecha, junto de Bheem para atacar o quartel.
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