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Uma família americana atravessa três estados numa van amarela, em 101 minutos.
Um pai e um filho até o Nebraska, em 115 minutos.
O programa de hoje é Pequena Miss Sunshine, disponível nos principais serviços por assinatura e também por aluguel avulso, 101 minutos. Play às 20h30 e ponto final às 22h11. Falado em inglês, com opção dublada, direção da dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris, produção americana de 2006.
A premissa cabe numa frase. Uma menina de sete anos recebe, por desistência de outra candidata, uma vaga num concurso de beleza infantil na Califórnia, e a família decide levá-la de carro do Novo México até a costa, porque passagem aérea para seis pessoas está fora do orçamento.
O veículo é o segundo protagonista. A van amarela quebra na primeira parada e passa o resto do filme sem embreagem, o que obriga todo mundo a descer, empurrar até o carro pegar no tranco e entrar em movimento, um de cada vez, pela porta lateral aberta.
A família ocupa o espaço apertado com seis feitios que não combinam. O pai vende um método de sucesso em nove passos que ninguém compra, a mãe segura a casa no grito, o filho adolescente fez voto de silêncio até virar piloto de caça, o tio chega direto do hospital, o avô foi expulso do asilo e a caçula treina uma coreografia que ninguém da família viu ensaiada.
O roteiro é de Michael Arndt, que escrevia à noite depois do expediente e levou três dias para terminar o primeiro tratamento. O texto circulou por Hollywood como roteiro de amostra antes de virar filme, e a produção levou cerca de cinco anos para sair do papel.
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"Um filme é a verdade 24 quadros por segundo."
Jean-Luc Godard, O Pequeno Soldado, 1963
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O dinheiro conta a parte mais improvável da história. O filme custou em torno de oito milhões de dólares e estreou no Festival de Sundance em janeiro de 2006, onde foi arrematado por uma quantia recorde para o festival naquele ano. A bilheteria mundial passou dos cem milhões, mais de dez vezes o custo de produção.
O reconhecimento veio na temporada seguinte. Pequena Miss Sunshine foi indicado a quatro Oscars, incluindo melhor filme, e levou dois deles: roteiro original para Arndt e ator coadjuvante para Alan Arkin, no papel do avô. Foi a primeira estatueta de Arkin em cinquenta anos de carreira.
O tom precisa de aviso, porque o cartaz amarelo engana. O filme tem uma cena de luto no meio do segundo ato e uma discussão de família que a comédia americana média não encara. A montagem trata o assunto pelo constrangimento, não pela lágrima, e o riso volta poucos minutos depois.
Para a noite, o encaixe é generoso. São 101 minutos, o ritmo é de capítulos curtos entre paradas, e a última sequência, no palco do concurso, dura menos de dez minutos e fecha o filme sem exigir que a sala fique acordada até meia-noite discutindo o final.
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