In partnership with

Pipoca Pronta   Pipoca Pronta
ED 077
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

A partitura sem rasura nas mãos de Salieri

Amadeus, de Milos Forman, 1984, 160 minutos: num manicômio de Viena, Salieri confessa a um padre como sabotou Mozart.

Velho compositor de peruca branca segura partituras à luz de velas.

Salieri e as partituras de Mozart

▼
 

Numa noite de neve em Viena, no ano de 1823, um velho grita pelos corredores da própria casa: “Mozart, perdoe o seu assassino!” Os criados arrombam a porta do quarto e encontram Antonio Salieri no chão, com a garganta cortada por uma navalha, ainda vivo.

A cena abre Amadeus, filme do tcheco Milos Forman lançado em 1984, com 160 minutos. Salieri sobrevive e acorda num hospício da cidade, entre doentes acorrentados e camas de palha. Um padre jovem, Vogler, chega para ouvir a confissão do ex-compositor da corte.

O padre conta que estudou música. Salieri toca ao cravo três melodias suas, sucessos de quarenta anos antes, e Vogler não reconhece nenhuma. Na quarta, o velho dedilha uma serenata leve, e o padre começa a cantarolar junto, sorrindo. A peça é de Mozart.

Salieri então começa a contar. Filho de comerciante do norte da Itália, prometeu a Deus castidade, trabalho e devoção em troca de um dom: escrever música capaz de louvá-lo. Chegou a Viena, virou compositor oficial do imperador José II e ganhou o comando da ópera da corte.

Em 1781, numa festa do arcebispo de Salzburgo, ele procura o prodígio famoso desde a infância. Encontra um rapaz de risada estridente, rolando no chão com a noiva, Constanze, e dizendo bobagens de criança. Minutos depois, o mesmo rapaz rege uma serenata para sopros, e Salieri ouve no papel uma música sem nenhuma emenda.

O filme se monta em duas camadas. Uma é a Viena de Mozart, com perucas, velas e teatros lotados. A outra é o quarto do hospício, onde Salieri, velho, interrompe a própria história para encarar o padre e a plateia.

Forman nunca deixa o espectador esquecer quem narra. Cada humilhação de Mozart chega filtrada pela inveja de um homem que se considera o único capaz de medir a altura daquilo que inveja.

A seção I começa no dia em que Salieri lê, sozinho, as primeiras partituras do rival.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

 Is Social Media Hurting Your Child? Your Family May Qualify

Many parents blamed themselves, or their kids, for the hours lost to the feed. But legal claims allege social media companies built in psychological triggers on purpose: intermittent rewards, endless scrolling, toxic social comparison, and recommendation engines that pull kids into content rabbit holes.

Now families are filing legal claims against platforms like Instagram and TikTok.

You may be eligible if:

  • Excessive social media use started under age 18

  • There was a diagnosis of an eating disorder, severe anxiety, depression, or self-harm

ClaimsHero checks whether you qualify for a claim and gets your family justice. Nothing upfront. We only get paid if your claim is successful.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  O Programa de Hoje

A confissão no manicômio

Hoje a tela recebe Amadeus, drama de época dirigido por Milos Forman, com roteiro de Peter Shaffer, lançado em 1984, com 160 minutos. Começa às 20h30 e os créditos sobem às 23h10.

Salieri é F. Murray Abraham, ator americano de teatro, quase desconhecido no cinema até ali. Wolfgang Amadeus Mozart é Tom Hulce, que criou a risada aguda do personagem a partir das cartas do compositor. Constanze é Elizabeth Berridge, e o imperador José II é Jeffrey Jones.

Shaffer adaptou a própria peça, estreada em Londres em 1979 pelo National Theatre. No palco, Salieri falava quase o tempo todo para o público; no filme, a plateia vira o padre Vogler.

As partituras de Constanze

Sem dinheiro, Constanze leva escondido ao gabinete de Salieri uma pasta com os originais do marido, atrás de um cargo de professor para a filha de um nobre. Salieri abre as folhas e não encontra rasura. Mozart passava a limpo uma música que já vinha pronta da cabeça.

Na cena, os papéis caem das mãos de Salieri, e a trilha toca trechos de cada página que ele lê. O compositor entende o que tem diante dos olhos, e ninguém mais na corte entende igual.

O castigo de Salieri é ouvir melhor do que todos e escrever pior do que um só.

Dali em diante, ele declara guerra a Deus, a quem acusa de ter escolhido um menino vulgar como instrumento. Joga o crucifixo do quarto no fogo da lareira.

Na corte, o imperador ouve a primeira ópera alemã de Mozart, O Rapto do Serralho, e reclama que ela tem “notas demais”. Mozart responde que tem exatamente as notas necessárias.

Salieri trabalha pelas beiradas. Aconselha o imperador a não pagar bem o rival, convence a corte a recusar Mozart como professor da princesa e, quando As Bodas de Fígaro estreia, conta bocejos na plateia. A ópera sai de cartaz depois de nove récitas.

“Todos dizem: não há justiça na terra. Mas não há justiça também lá em cima.” (Aleksandr Púchkin, Mozart e Salieri, 1830)

Púchkin foi o primeiro a transformar em drama o boato, corrente em Viena logo após a morte de Mozart em 1791, de que Salieri teria envenenado o rival. Shaffer partiu daquela peça curta russa e trocou o veneno por uma sabotagem lenta.

 
 

II  Se a Noite Pedir Outra Coisa

Mestres que cobram caro

Se a noite pedir outro clima, dois filmes recentes levam a mesma rivalidade de talento para a música do século 21, um num conservatório de Nova York e outro numa orquestra de Berlim.

O primeiro é Whiplash: Em Busca da Perfeição, de Damien Chazelle, 2014, com 106 minutos. Começa às 20h30 e termina às 22h16.

Andrew Neiman, vivido por Miles Teller, é baterista de dezenove anos num conservatório de Manhattan. Terence Fletcher, papel de J. K. Simmons, rege a banda de jazz principal da escola e trata ensaio como interrogatório: atira cadeira, conta os compassos aos gritos e troca o baterista no meio da peça.

Andrew treina até sangrar as mãos no tambor. A disputa termina num festival, num solo de Caravan, de Duke Ellington, em que aluno e professor finalmente se encaram de igual para igual. Simmons levou o Oscar de ator coadjuvante em 2015.

Chazelle tinha 29 anos e baseou Fletcher num maestro de banda que conheceu no colégio, em Princeton. Rodou o longa em dezenove dias, com orçamento de filme pequeno.

Em Amadeus, quem inveja é o professor; em Whiplash, o professor fabrica o gênio na base do medo.

O segundo é Tár, de Todd Field, 2022, com 158 minutos. Começa às 20h30 e termina às 23h08.

Lydia Tár, vivida por Cate Blanchett, é a primeira mulher a reger uma grande orquestra alemã. Prepara a gravação da Quinta Sinfonia de Gustav Mahler enquanto acumula favores, apaga e-mails e afasta uma ex-aluna de todas as vagas do continente.

O passado volta. Tár perde o posto, a família e o retrato nos cartazes de Berlim. Na última cena, rege num auditório do Sudeste Asiático a trilha de um videogame, diante de uma plateia fantasiada.

Blanchett estudou alemão e regência para o papel e toca ela mesma o piano nas cenas de ensaio. O filme teve seis indicações ao Oscar e não levou nenhuma.

A ponte com Amadeus está no músico que controla quem sobe e quem cai, e no custo de usar o cargo contra um talento mais novo.

Para escolher: quem quer ritmo, suor e duas horas curtas vai de Whiplash; quem quer drama lento, ambíguo e quase do tamanho de Amadeus vai de Tár.

 

Quem banca a edição de hoje

Your Fall Glow-Up Comes in Two Cups

Pique’s Radiant Skin Duo pairs antioxidant-rich Sun Goddess Matcha with B·T Fountain, a beauty electrolyte for hydrated, plump-looking skin. In a trial of B·T Fountain’s ceramides, hydration improved 37% and elasticity 36% by day 60. Subscribe for 20% off for life, backed by a 90-day money-back guarantee.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  Sai do Catálogo

O Réquiem na cama de Mozart

Amadeus troca de plataforma de streaming no Brasil com frequência. Busque pelo título e confira Milos Forman e 1984 antes do play. Existe também a versão do diretor, de 2002, com 180 minutos; a de hoje é a de cinema, com 160.

Forman deixou a Tchecoslováquia em 1968, depois que os tanques soviéticos esmagaram a Primavera de Praga (a abertura política do país naquele ano). Voltou a Praga em 1983 para filmar, sob o mesmo regime, porque a cidade guardava ruas e teatros do século 18.

A carreira do filme

As óperas foram rodadas no Teatro dos Estados, em Praga, o mesmo palco onde Mozart estreou Don Giovanni em 1787, com velas acesas na plateia. A trilha foi gravada pela Academy of St Martin in the Fields, sob a regência de Neville Marriner.

No Oscar de 1985, Amadeus recebeu onze indicações e levou oito estatuetas, entre elas filme, direção, roteiro adaptado e ator, para F. Murray Abraham. Tom Hulce também concorria a ator e perdeu para o colega de elenco.

Na trama, Leopold Mozart, pai do compositor, morre em Salzburgo, e o filho escreve Don Giovanni com a figura de um pai de pedra que volta para cobrar o herdeiro. Salieri, na plateia, reconhece o fantasma.

Ele aluga uma máscara igual à que vira em Leopold num baile e encomenda a Mozart um Réquiem (missa cantada para os mortos), sem dizer quem paga. O plano é tocar a obra no funeral do rival e assinar como sua.

Doente, Mozart desmaia ao reger A Flauta Mágica. Salieri o leva para casa e passa a noite ao pé da cama, anotando o Lacrimosa ditado por um homem febril. Constanze volta de viagem, tranca a partitura no armário e manda Salieri embora. Mozart não acorda mais e acaba numa vala comum, sob chuva.

A história real foi outra. Mozart adoeceu de uma febre que os médicos da época não souberam nomear, e Salieri, que viveu até 1825, deu aulas a Beethoven, Schubert e Liszt. O Réquiem foi completado pelo aluno Franz Xaver Süssmayr, a pedido da viúva.

1. No começo, repare em quem cantarola a serenata: o padre ignora Salieri e conhece Mozart de cor.

2. Na metade, acompanhe as mãos de Salieri sobre as partituras de Constanze.

3. No fim, ouça a última frase de Salieri, dita aos doentes do corredor enquanto passa de cadeira de rodas.

Às 20h30, 160 minutos de Viena à luz de velas e um rival que ouve tudo.

Na cadeira de rodas, Salieri ergue a mão e abençoa os loucos à volta: “Medíocres de toda parte, eu os absolvo.” O homem que pediu um dom a Deus termina como padroeiro de quem não o recebeu.

 
 
Quiz da edição

Depois da sabotagem de Salieri na plateia, após quantas récitas As Bodas de Fígaro sai de cartaz?

AQuatro récitas
BSeis récitas
CNove récitas
DDoze récitas

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

📺📺📺📺📺  ótima 📺📺📺📺  boa 📺📺📺  ok 📺📺  ruim 📺  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 23/10, 23h

A Honeyland →
B Fleabag →
C Herói →
D O Babadook →
 
Recomendação de Newsletter
Versículo do Dia

Versículo do Dia

Todo dia, 05:05. Um versículo, o contexto que 2.000 anos de distância esconderam e o que muda quando você entende.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

Senta e relaxa. Só apertar o play.

Pipoca Pronta

PIPOCA PRONTA

Um programa por dia, com onde assistir e a duração

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter