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Hoje a tela recebe Mommy, drama canadense escrito, dirigido e montado por Xavier Dolan, lançado em 2014, com 139 minutos. Começa às 20h30 e os créditos sobem às 22h49.
Diane, a Die, é Anne Dorval, atriz de Montreal que já tinha feito a mãe de Dolan na estreia dele como diretor. Steve é Antoine-Olivier Pilon, então com 17 anos. Kyla, a vizinha da frente, é Suzanne Clément.
Die mora numa casa geminada da periferia, sem emprego fixo, e leva Steve para dentro com uma mala e uma sacola de compras. Nos primeiros dias, ele xinga a mãe, abraça a mãe, rouba dinheiro, compra para ela um colar com a palavra Mommy gravada e explode quando ela pergunta de onde veio a grana.
Kyla é professora em licença. Gagueja tanto que quase não fala, e vive com o marido e a filha pequena do outro lado da rua. Depois de uma briga em que Steve aperta o pescoço da mãe e Die o acerta com um quadro da parede, a vizinha entra para ajudar e fica.
Ela começa a dar aulas ao menino na mesa da cozinha. Steve testa a professora, ela perde a paciência uma vez, derruba o garoto no chão, e dali em diante ele estuda. Com os três juntos, a gagueira de Kyla quase some.
Wonderwall
Perto da metade do filme, Steve desce a rua de skate, de braços abertos, com Die e Kyla de bicicleta atrás. Toca Wonderwall, da banda inglesa Oasis, de 1995. Ele estica as duas mãos para os lados da imagem e empurra.
As faixas pretas recuam. O quadro cresce até a proporção 1,85:1 (quase duas vezes mais largo do que alto), padrão das salas de cinema, e pela primeira vez aparece rua dos dois lados dos personagens.
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O quadrado de Mommy se abre pelas mãos de Steve: o recorte apertado é a vida dele dentro de casa, e a tela larga é o dia em que tudo parece caber.
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Dolan contou em entrevistas da época que queria o rosto como centro, sem nada em volta para distrair, e que o formato lembrava as capas dos discos que ouvia. A largura dura poucos minutos. Quando a casa volta a apertar, o quadrado volta junto, sem aviso.
A música entra inteira em várias cenas. Na cozinha, os três dançam On ne change pas, de Céline Dion, e o menino canta com a mãe. No karaokê do bairro, Steve pega o microfone para Vivo per lei, em italiano, e a noite acaba em briga com os vizinhos da mesa ao lado.
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“Tudo é possível para quem sonha, ousa, trabalha e nunca desiste.” (Xavier Dolan, discurso no Festival de Cannes, 2014)
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Dolan disse a frase no palco ao receber um prêmio pelo filme, e ela cabe na boca de Die, que tenta faxina, tradução e entrevista de emprego enquanto o filho ocupa a casa. A segunda abertura do quadro pertence a ela, e a seção III conta onde ela leva.
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