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Minissérie fechada em cinco episódios. Veja por que o primeiro cabe inteiro na quarta.
O programa de hoje é Chernobyl, de Craig Mazin, na Max, primeiro episódio de 64 minutos. Play às 21h20 e ponto final às 22h24. A minissérie está com legenda e dublagem em português, e tem classificação de dezesseis anos.
A primeira cena não é a explosão. É um apartamento apertado em Moscou, dois anos depois do acidente, com um homem de meia-idade gravando a própria voz em fita cassete e escondendo as fitas do lado de fora do prédio.
O homem é Valery Legasov, químico e vice-diretor do Instituto Kurchatov, vivido por Jared Harris. Ele fala sozinho para uma máquina porque a versão oficial da história já foi escrita e não é a dele.
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"Qual é o preço das mentiras? Não é que a gente vá confundi-las com a verdade. O perigo real é que, se ouvirmos mentiras demais, deixamos de reconhecer a verdade."
Valery Legasov, em Chernobyl, 2019
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Da cozinha em Moscou o episódio salta para a madrugada de 26 de abril de 1986, na usina Vladimir Ilitch Lênin, perto da cidade de Pripyat, no norte da Ucrânia soviética.
O turno da noite está executando um teste de segurança no reator 4, um procedimento adiado várias vezes e finalmente rodado com a equipe errada e o horário errado. À 1h23 da madrugada, o reator explode.
O que a série faz depois é o motivo de ela caber na quarta. Ela não corta para a investigação nem para o julgamento. Ela fica dentro da usina, com as pessoas que estavam ali, nas horas em que ninguém ainda sabe o tamanho do problema.
O engenheiro-chefe adjunto, Anatoly Dyatlov, repete que o reator não pode ter explodido, porque reator não explode. E manda os operadores até o prédio para olhar o núcleo com os próprios olhos.
A tensão do episódio nasce de uma coisa simples de acompanhar e difícil de esquecer: o perigo é invisível. Não tem monstro, não tem perseguição, tem um gosto metálico na boca e um contador que trava no limite da escala.
A direção é de Johan Renck, o mesmo que dirigiu os cinco episódios, e a trilha é de Hildur Guðnadóttir, que montou o som a partir de gravações feitas dentro de uma usina nuclear desativada na Lituânia.
O elenco fica com o registro contido. Stellan Skarsgård entra como Boris Shcherbina, o burocrata mandado para resolver, e Emily Watson faz Ulana Khomyuk, cientista criada pelo roteiro para representar dezenas de pesquisadores reais.
Vale saber antes do play: a minissérie levou dez prêmios Emmy em 2019, incluindo o de melhor minissérie, e ficou por um tempo como o título de nota mais alta na lista de séries do IMDb.
Um aviso honesto de tom, porque o formato engana. O episódio é lento no bom sentido, quase todo em plano fixo e conversa técnica, mas as últimas cenas cobram estômago e cabeça ao mesmo tempo.
Para a quarta, ele entrega exatamente o que a noite pede: história fechada em 64 minutos, nada para decorar de antemão e ponto final às 22h24, com folga de sobra antes das onze.
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