In partnership with

Pipoca Pronta   Pipoca Pronta
ED 051
{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Cidadão Kane e o segredo guardado num trenó

Orson Welles, 1941, 119 minutos: play às 20h30 e um repórter atrás de uma palavra só.

Trenó de madeira pintado sendo consumido pelo fogo numa fornalha, em preto e branco.

O trenó da infância de Kane, na fornalha de Xanadu

▼
 

Numa cama enorme de Xanadu, o castelo que construiu na Flórida, Charles Foster Kane segura um globo de neve com uma casinha dentro e diz uma palavra só: "Rosebud". O globo escorrega da mão, rola dois degraus e se quebra no piso. Uma enfermeira entra no quarto e cobre o corpo do velho com o lençol.

A cena seguinte muda de tom. Um cinejornal de dez minutos, com locutor empolado e música de marcha, resume a vida do magnata: dono de dezenas de jornais, candidato derrotado a governador de Nova York, dois casamentos desfeitos, uma ópera construída para a segunda mulher e uma coleção de estátuas que nunca saiu dos caixotes.

As luzes da sala de projeção acendem. Os editores do cinejornal acham o resumo raso. Falta saber quem era o homem, e o chefe, Rawlston, aposta que a última palavra guarda a resposta. Ele manda o repórter Jerry Thompson ouvir quem conviveu com Kane e descobrir o que Rosebud quer dizer.

O filme se chama Cidadão Kane, título original Citizen Kane, lançado pela RKO em maio de 1941. Tem 119 minutos, é em preto e branco e foi dirigido por Orson Welles, que tinha 25 anos, também fazia o papel principal e dividiu o roteiro com Herman J. Mankiewicz.

Thompson nunca aparece de frente. A câmera mostra a nuca dele, o chapéu, a sombra contra a janela. Quem ganha rosto são os entrevistados: um banqueiro nos arquivos de uma biblioteca, um sócio antigo num escritório, um amigo num asilo, uma cantora num bar de beira de praia e o mordomo de Xanadu.

Cada um conta um pedaço, e os pedaços nem sempre combinam. A mesma festa, o mesmo casamento e a mesma derrota eleitoral voltam vistos de outro ângulo, por gente que gostava de Kane, que o temia ou que saiu ferida.

A primeira seção abre a porta dessas entrevistas, apresenta cada testemunha e mostra por que a palavra que o repórter persegue chega ao espectador e nunca chega a ele.

Continue lendo ↓

 
 

I  O Programa de Hoje

I, Cinco testemunhas e um homem que ninguém decifra

O programa de hoje é Cidadão Kane, filme americano de 1941 dirigido por Orson Welles, 119 minutos, disponível para aluguel e compra nas lojas digitais de filmes. Play às 20h30 e ponto final às 22h29.

A primeira testemunha nem está viva. Walter Parks Thatcher, o banqueiro que cuidou da fortuna do menino, deixou memórias trancadas numa biblioteca, e Thompson lê o manuscrito sob o olhar de uma bibliotecária severa. Por ali se sabe como tudo começou: a mãe de Kane recebe uma mina de ouro no Colorado e entrega o filho, ainda criança, à tutela do banco.

Charles, de oito anos, brinca na neve quando os adultos assinam os papéis dentro da pensão da família. Ele reage à notícia batendo com o trenó em Thatcher. Na juventude, rico e entediado, escolhe como brinquedo um jornal falido, o Inquirer, e passa a usá-lo contra os próprios interesses do banqueiro.

O segundo depoimento vem de Bernstein (Everett Sloane), gerente do jornal e fiel até a velhice. É dele a lembrança mais doce do filme: uma moça de vestido branco vista de relance numa balsa, décadas antes, que ele nunca mais encontrou e de quem se lembra todo mês.

Jedediah Leland (Joseph Cotten), o amigo de faculdade, fala de um asilo e conta a virada: a campanha para governador, a amante Susan Alexander descoberta pelo adversário e a carreira política afundada numa manchete de escândalo.

Susan (Dorothy Comingore) é a quarta voz. Bebe num bar de Atlantic City e relembra a ópera que Kane mandou construir para ela, a voz fraca que a crítica massacrou e os anos isolada no castelo, montando quebra-cabeças.

O mordomo Raymond fecha a série. Ele viu Kane destruir o quarto de Susan quando ela foi embora e parar, de repente, diante do globo de neve, sussurrando a mesma palavra.

Welles e o fotógrafo Gregg Toland contam essas lembranças com a técnica da profundidade de campo (foco nítido ao mesmo tempo no primeiro plano e no fundo). Na cena da mãe assinando os papéis, o menino brinca lá fora, pela janela, pequeno e visível durante a conversa inteira. O escritor argentino Jorge Luis Borges resumiu o efeito numa resenha:

"É um labirinto sem centro." (Jorge Luis Borges, na revista Sur, 1941)

Thompson desiste. Diz aos colegas que nenhuma palavra explica uma vida. Enquanto a equipe vai embora, os empregados queimam a tralha de Xanadu numa fornalha. Um deles joga no fogo um trenó velho, e a câmera se aproxima da madeira pintada: Rosebud. É o trenó do Colorado, o último brinquedo antes que a fortuna levasse o menino embora. Só a plateia lê a palavra enquanto a tinta derrete.

 
 

II  Se a Noite Pedir Outra Coisa

II, Um roteirista e um crime contado quatro vezes

Nem toda noite pede um clássico de 1941 com duas horas de flashback. As duas saídas de hoje guardam o mesmo motor, a verdade montada por testemunhas, numa história de bastidor e num mistério mais curto.

Se a noite pedir bastidor, o programa é Mank, filme de David Fincher lançado pela Netflix em 2020, 131 minutos, disponível no catálogo da plataforma. Play às 20h30 e ponto final às 22h41.

Gary Oldman faz Herman J. Mankiewicz, o coautor de Cidadão Kane, preso a uma cama com a perna engessada num rancho da Califórnia em 1940, ditando o roteiro para uma secretária enquanto o prazo da RKO aperta.

O filme também é em preto e branco e copia o recurso do original: salta entre o rancho e os anos anteriores, quando Mank frequentava as festas de William Randolph Hearst, o dono de jornais que inspirou o personagem de Kane, e de Marion Davies, a atriz que era companheira dele.

Mank levou dois Oscars na cerimônia de 2021, fotografia e direção de arte. A ponte com o programa principal é direta: depois de Mank, a disputa pelo crédito do roteiro de Cidadão Kane ganha rosto, porque o filme defende que as melhores cenas eram de Mankiewicz.

Se a noite pedir um mistério curto, o programa é Rashomon, filme japonês de Akira Kurosawa de 1950, 88 minutos, disponível para compra digital e em edições de colecionador em DVD e Blu-ray. Play às 20h30 e ponto final às 21h58.

Numa floresta do Japão medieval, um samurai aparece sem vida e a mulher dele foi atacada por um bandido. No tribunal, o bandido, a mulher, o espírito do samurai trazido por uma médium e um lenhador que viu tudo contam versões que se contradizem.

O filme ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 1951 e deu nome a um fenômeno: quando testemunhas honestas lembram o mesmo fato de jeitos diferentes, jornalistas e juristas chamam de efeito Rashomon. Kurosawa não diz qual versão é a verdadeira.

Regra de bolso para a noite: se a casa quer saber como Cidadão Kane nasceu, vá de Mank. Se a casa quer ver o mesmo jogo de testemunhas resolvido em menos de uma hora e meia, Rashomon basta.

 

Quem banca a edição de hoje

Master Claude AI (Free Guide)

The professionals pulling ahead aren't working more. They're using Claude.

Our free guide will show you how to:

  • Configure Claude to be the perfect assistant

  • Master AI-powered content creation

  • Transform complex data into actionable strategies

  • Harness Claude’s full potential

Transform your workflow with AI and stay ahead of the curve with this comprehensive guide to using Claude at work.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  Sai do Catálogo

III, O filme que um magnata tentou tirar das salas

Cidadão Kane não pertence a nenhum serviço de assinatura brasileiro de forma fixa. Os direitos ficaram com a Warner, que herdou o acervo da RKO, e o filme entra e sai dos catálogos por licença curta. Aluguel e compra digital são as vias estáveis.

A primeira armadilha está na busca. Digitar só Kane devolve títulos parecidos; a ficha certa traz Orson Welles na direção, 1941 e a duração de 119 minutos. Há também versões colorizadas feitas na década de 1980, que Welles rejeitou em vida. Vale a imagem original em preto e branco.

A segunda armadilha é a janela. O filme foi rodado no formato quase quadrado da época, e algumas telas esticam a imagem para preencher a largura. Desligar o ajuste automático da televisão devolve as proporções e o teto dos cenários, que Toland fez questão de mostrar.

A história fora da tela ajuda a apreciar o filme. Hearst reconheceu a si mesmo em Kane e mandou os jornais da rede dele recusar anúncios do filme. Houve pressão sobre a RKO para destruir os negativos. O filme estreou, fez bilheteria fraca e só foi redescoberto na França depois da guerra.

No Oscar de 1942, recebeu nove indicações e levou só o de roteiro original, dividido por Welles e Mankiewicz. A virada veio depois: a revista Sight and Sound, do British Film Institute, pôs Cidadão Kane no topo da votação de críticos em 1962, 1972, 1982, 1992 e 2002.

1. Confira direção, ano e duração antes do play: Orson Welles, 1941 e 119 minutos separam o filme de títulos parecidos.

2. Escolha a versão em preto e branco e a proporção original: a profundidade de campo depende do quadro inteiro.

3. Assista aos créditos iniciais e ao cinejornal sem pular: o resumo da vida de Kane ali mostra quais fatos cada testemunha vai contradizer.

Play às 20h30, uma palavra só e um trenó que só você enxerga no fogo.

"Se alguém tentasse resumir a sua vida numa palavra, qual objeto da sua infância ela nomearia?"

Na próxima edição: o filme japonês de 1953 sobre um casal de idosos que viaja a Tóquio para visitar os filhos ocupados.

 
 
Sorteia a sua frente de hoje. Oito frentes, uma por dia. O ebook ensina, o app cobra. Sortear minha frente de hoje.

Sortear minha frente de hoje →

 
Quiz da edição

No filme, o que a palavra final de Kane, 'Rosebud', revela ser?

AO nome do lago dentro da propriedade de Xanadu
BO apelido que Susan Alexander dava para Kane
CO trenó de infância do Colorado, brinquedo dos tempos antes da fortuna
DO título do jornal que Kane comprou quando jovem

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

📺📺📺📺📺  ótima 📺📺📺📺  boa 📺📺📺  ok 📺📺  ruim 📺  péssima
 
Escolha uma das próximas edições

Qual edição você quer ver?

1 toque vota. A mais votada sai nos próximos dias.

Voto aberto até 28/09, 15h30

A Matar ou Morrer →
B Era uma Vez em Tóquio →
C Dr. Fantástico →
D O Labirinto do Fauno →
 
 

Quem banca a edição de hoje

Your Boss Will Think You’re an Ecom Genius

Optimizing for growth? Go-to-Millions is Ari Murray’s ecommerce newsletter packed with proven tactics, creative that converts, and real operator insights—from product strategy to paid media. No mushy strategy. Just what’s working. Subscribe free for weekly ideas that drive revenue.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
Recomendação de Newsletter
Setup Memorável

Setup Memorável

Todo dia, 08:08 na sua caixa: o app, o periférico e a configuração que passaram no filtro perfeccionista. Testado, comparado, aprovado.

Quero receber →

 
Indique e destrave

Indique essa newsletter para um amigo

Cada leitor confirmado pelo seu link sobe um degrau da escada de prêmios.

  
você1

{{indicacoes_confirmadas | 0}} confirmadas · faltam {{indicacoes_falta | 1}} pra próxima recompensa

● 1
Pack de wallpapers
Pack de wallpapers
■ 3
Edição de Colecionador do mês
Edição de Colecionador do mês
▲ 5
ebook Você Já Paga Duas Vezes
ebook Você Já Paga Duas Vezes

Pegar meu link de indicação →

 
Sua jornada
🔥 {{streak_atual | 0}} recorde
{{streak_recorde | 0}}

{{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}}

{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

sua patente

{{rank_simbolo | ◆}} {{rank_nome | Aprendiz}}

 

faltam {{xp_falta | 5}} de ouro pra {{rank_prox | próxima patente}}

{{edicoes_lidas | 1}}
edições
{{cliques | 0}}
cliques
{{avaliacoes_feitas | 0}}
avaliações
{{moedas | 0}} de ouro na carteira 🏪 loja e missões no hub
{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
 
Clímax da temporada

Maratona dos 7 dias finais

◆◆◆27282930

Dia 4 de 7 · a temporada de setembro fecha 30/09

{{maratona_dias | 0}}
dias feitos
{{maratona_faltam | 6}}
pra fechar

Presença por clique, voto ou quiz. Sem folga na maratona: o seguro do mês cobre 1 dia.

Acompanhar minha ofensiva →

 
Amanhã nesta news

ED 052 · amanhã às 18:18

Matar ou Morrer e a cidade que fechou as portas

Fred Zinnemann, 1952, 85 minutos: play às 20h30 e um xerife atrás de ajuda até o meio-dia.

 
 
 

Senta e relaxa. Só apertar o play.

Pipoca Pronta

PIPOCA PRONTA

Um programa por dia, com onde assistir e a duração

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter