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Na tela de hoje entra Argentina, 1985, de Santiago Mitre, lançado pela Amazon em 2022, com 140 minutos. Começa às 20h30 e os créditos sobem às 22h50.
Ricardo Darín faz Julio Strassera. Peter Lanzani vive Luis Moreno Ocampo, o promotor adjunto de 32 anos, filho de família militar, que aceita o cargo quando ninguém aceitava. Alejandra Flechner é Silvia, a mulher de Strassera, e Norman Briski faz o Ruso, o amigo que ajuda a escolher os jovens.
O roteiro é de Mitre e Mariano Llinás. O filme disputou o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2022 e ganhou o Globo de Ouro de melhor filme em língua não inglesa, em janeiro de 2023.
As primeiras cenas mostram a entrevista de seleção no escritório da promotoria. Strassera pergunta a cada candidato de onde vem a família, porque teme infiltrados. O Ruso aposta nos novatos pelo mesmo motivo: sem carreira feita durante a ditadura, eles não devem favor a nenhum general.
Setecentos casos na pasta
Sem tempo para investigar cada desaparecimento, a equipe escolhe 709 casos capazes de provar um plano comum, dado pelos comandantes e cumprido do mesmo jeito em todo o país. Os jovens viajam pelas províncias, batem na porta de famílias e convencem sobreviventes a depor diante dos militares.
Muitos sobreviventes nunca tinham contado a ninguém o que viveram nos centros clandestinos. Alguns aceitam depor só depois de várias visitas, e outros desistem na véspera, com medo de os militares voltarem ao poder.
O promotor recebe ameaças por telefone. Javier, o filho adolescente, passa a vigiar quem segue o pai na rua, e a casa ganha escolta policial.
O depoimento mais duro é o da física Adriana Calvo, vivida por Laura Paredes. Sequestrada em 1977, grávida de sete meses, ela deu à luz algemada no banco de trás de uma viatura, e os policiais só soltaram as mãos dela depois do parto.
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Moreno Ocampo ouve a própria mãe, que frequentava a mesma missa de Videla, mudar de lado depois de ler o depoimento de Adriana Calvo no jornal.
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No dia da alegação final, Strassera abre mão de terminar com palavras dele.
“Senhores juízes: quero renunciar expressamente a toda pretensão de originalidade para encerrar esta acusação” (Julio César Strassera, alegação final no Julgamento das Juntas, Buenos Aires, 1985).
Em 9 de dezembro de 1985, o tribunal condena Videla e Massera à prisão perpétua, Roberto Viola a 17 anos, Armando Lambruschini a 8 e Orlando Agosti a quatro anos e meio. Os outros quatro, entre eles Leopoldo Galtieri, o general da Guerra das Malvinas, saem absolvidos.
O filme termina com a sentença lida e Strassera de volta ao escritório, onde a equipe já separa as pastas dos próximos processos contra oficiais de patente menor.
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