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ED 005

Free Solo abre a segunda em 100 minutos

O documentário de escalada que cabe na segunda à noite: play às 21h no Disney+, ponto final às 22h40, e duas saídas nomeadas por humor.

Uma parede de granito quase vertical ao amanhecer, com um escalador minúsculo na metade da rocha e nenhuma corda presa ao corpo dele.

A parede de granito antes do primeiro passo

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São 21h de uma segunda. O fim de semana acabou faz vinte e uma horas, a louça do jantar ainda está na pia e o despertador de terça já está armado no criado-mudo. A noite que sobra é curta, e curta é justamente o tipo de noite que o aplicativo come inteira.

Segunda tem um problema que sexta não tem: a conta do dia seguinte chega cedo. Cada minuto gasto rolando fileira sai do sono, e não do lazer. Vinte minutos escolhendo viram um programa que termina às onze e meia pra quem precisa levantar às seis.

O aplicativo aproveita a pressa. Ele abre com trailer tocando sozinho, empilha capa em cima de capa e devolve a decisão pra quem sentou justamente pra não decidir. Quanto menor a janela, mais cara fica a rolagem.

E a segunda cobra uma coisa a mais. Depois de um dia inteiro decidindo miudeza, a última vontade que sobra é escolher entre quarenta capas parecidas. A escolha nem é difícil, é só mais uma numa fila que já ficou comprida demais.

Existe um tipo de programa que resolve a segunda melhor que os outros, e ele não é ficção. É o documentário de tarefa marcada: alguém anuncia no começo o que vai tentar fazer, você acompanha a preparação, e o filme termina no dia da tentativa.

A vantagem prática do formato está na atenção que ele cobra. Documentário de tarefa não pede que você guarde nome de personagem, parentesco nem linha do tempo. A pergunta é uma só do primeiro ao último minuto, e ela cabe em três palavras: consegue ou não.

O programa de hoje é um desses, e a tarefa dele é a mais direta que o gênero já filmou: subir uma parede de granito de novecentos metros sem corda, sem equipamento de proteção e sem nenhuma segunda chance. Está no Disney+, e cabe na segunda com o despertador de terça ainda de pé.

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I  O Programa de Hoje

Quatro horas de El Capitan sem corda

Um escalador sem corda e novecentos metros de granito. Veja por que o programa devolve a sala às 22h40.

O programa de hoje é Free Solo, de Elizabeth Chai Vasarhelyi e Jimmy Chin, no Disney+, 100 minutos. Play às 21h e ponto final às 22h40. Quem não assina o serviço encontra o filme pra alugar no Prime Video, na Apple TV e no YouTube, com 48 horas de prazo depois do primeiro play.

Alex Honnold tem 31 anos quando o filme começa, mora numa van havia quase uma década e escala sem corda, sem grampo e sem parceiro. A prática tem nome próprio dentro da escalada, free solo, e batiza o documentário.

O objetivo dele é o El Capitan, o paredão de granito do Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia. São cerca de novecentos metros de rocha quase vertical, pela via Freerider. Ninguém tinha subido aquilo sem corda antes.

A maior parte do filme não é a subida, é a preparação. Honnold repete a via com corda dezenas de vezes, anota cada movimento num caderno e decora a sequência como quem decora uma partitura.

Dois trechos ele não resolve na força. Um é o Boulder Problem, um lance a seiscentos metros do chão que termina num chute de karatê pra apoiar o pé numa borda do tamanho de um cartão. O outro é a fenda que exige o corpo travado dentro da rocha.

O segundo conflito do filme está atrás da câmera. Jimmy Chin e a equipe são escaladores profissionais e amigos de Honnold, e passam o filme discutindo se a presença deles atrapalha alguma coisa lá em cima. A dúvida aparece em voz alta, gravada, e não é resolvida.

"Ninguém conquista nada de grande estando feliz e confortável."

Alex Honnold, em Free Solo, 2018

Sanni McCandless entra na história no meio, e o filme não trata a namorada como alívio cômico. A relação vira o principal argumento contra a subida, e Honnold responde com uma frieza que o próprio documentário não tenta suavizar.

Uma cena curta explica boa parte do resto. Honnold entra numa ressonância magnética e a amígdala dele, a região que dispara o medo, praticamente não reage aos estímulos que acendem a de qualquer outra pessoa.

A subida real aconteceu em 3 de junho de 2017 e durou 3 horas e 56 minutos. O filme estreou em setembro de 2018, passou de 28 milhões de dólares em bilheteria e levou o Oscar de melhor documentário em fevereiro de 2019, além do BAFTA.

A duração trabalha a favor da segunda por um motivo estrutural. Os 100 minutos estão divididos em blocos curtos de treino, cada um com um obstáculo nomeado, e a subida final ocupa o trecho derradeiro. A atenção reinicia a cada bloco.

Um aviso honesto antes do play: quem tem medo de altura vai sentir. A câmera fica pendurada ao lado dele em plano aberto, sem truque de montagem, e o chão aparece o tempo todo no enquadramento. Quem preferir outra coisa encontra duas saídas logo abaixo.

Para as outras segundas, ele entrega exatamente o que a noite curta pede: uma pergunta só, um relógio na frente e ponto final às 22h40, com o despertador de terça intacto.

 
 

II  Se a Noite Pedir Outra Coisa

14 Picos ou The Rescue

A segunda é a única noite da semana em que o programa disputa espaço com o cansaço de quem acabou de voltar. Essa conta muda a escolha inteira: quem decide não é o gosto, é a quantidade de tensão que ainda cabe antes de dormir.

Se a segunda pedir leve, o programa é 14 Picos: Nada é Impossível, de Torquil Jones, na Netflix, 101 minutos. Play às 21h e ponto final às 22h41.

Nirmal Purja é um ex-militar nepalês das forças especiais britânicas que largou a carreira pra tentar o que ninguém tinha feito: subir as catorze montanhas de mais de oito mil metros do planeta em menos de sete meses.

Ele fecha a lista em 6 meses e 6 dias, em 2019. A marca anterior era de quase oito anos. O número sozinho já é o argumento do filme.

Mesma matéria do programa de hoje, altitude e tarefa anunciada antes, com o peso trocado. Nims aparece de sorriso aberto e o filme corre em ritmo de campanha, com helicóptero, festa e telefonema pra mãe.

Ele é original da Netflix e ficou entre os documentários mais vistos do serviço no ano de estreia. Não pede conhecimento de escalada: os nomes das montanhas entram com mapa na tela e a narração explica cada etapa.

Serve pra segunda em que o primeiro dia já cobrou o bastante. Dá pra olhar o celular no meio e voltar sem perder o fio.

Se a segunda pedir pesado, o programa é The Rescue, dos mesmos Elizabeth Chai Vasarhelyi e Jimmy Chin, no Disney+, 107 minutos.

Em 2018, doze meninos de um time de futebol e o treinador entram numa caverna no norte da Tailândia e ficam presos quando a chuva alaga a entrada. O filme acompanha os mergulhadores britânicos que assumem a operação.

A tensão aqui é técnica, e não emocional. Os diretores usam o material gravado dentro da caverna pela própria operação e reconstroem o resto com os mergulhadores originais, com uma clareza de decisão que quase nenhum filme de ação alcança.

A diferença entre os dois está na saída, e nunca na qualidade. 14 Picos devolve você pro travesseiro com energia sobrando. The Rescue termina às 22h47 e rende meia hora de conversa depois dos créditos.

Uma regra de bolso pra hoje: se a vontade é de não pensar, vá de 14 Picos. Se a segunda é daquelas em que o sono só chega tarde de qualquer jeito, The Rescue aproveita a hora extra e devolve alguma coisa em troca.

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III  Sai do Catálogo

A música do documentário tem prazo

Free Solo não é um título licenciado no Disney+. Ele é produção da National Geographic Documentary Films, e a National Geographic entrou na Disney junto com o resto da 21st Century Fox, na compra fechada em março de 2019.

Título licenciado e original da casa se parecem na tela e não se parecem no contrato. O original é acervo, a plataforma é dona dele. O licenciado é aluguel de prateleira, com data de saída marcada desde o dia em que entrou.

Documentário tem um terceiro caso, e ele é o que mais some da fileira. Mesmo quando a plataforma é dona do filme, o filme não é dono de tudo o que aparece dentro dele: cada música de terceiro e cada trecho de arquivo entram por licença própria, com prazo próprio.

Esses prazos costumam vir em janelas de cinco a sete anos, e quase nunca vencem no mesmo dia. Quando um deles cai, a plataforma tem três saídas: renegociar, tirar o filme do ar ou remontar a cena com outra música.

O resultado é que documentário de música e documentário de acontecimento histórico somem mais rápido que ficção do mesmo ano. Não é falta de audiência, é a soma de contratos pequenos que ninguém renova no mesmo dia.

Free Solo escapa dessa armadilha por um detalhe de produção. A trilha é original, composta por Marco Beltrami para o filme, e as imagens foram gravadas pela própria equipe. Quase tudo que está na tela pertence a quem produziu.

O aplicativo dá sinal antes de tirar qualquer coisa, mas discreto. O título ganha etiqueta de últimos dias, cai da fileira de recomendados e só aparece quando você digita o nome inteiro na busca.

A Minha Lista também não segura nada. Salvar ali marca uma intenção, e nunca uma reserva. No dia em que a licença acaba, o item desaparece da lista sem nenhuma notificação.

1. Confira o nome na busca do aparelho em que você vai assistir, e não no navegador do celular. Catálogo brasileiro e catálogo de fora não são a mesma lista, e o buscador quase sempre devolve a americana.

2. Se a noite depende de um documentário específico, baixe com um dia de antecedência. O download não é cópia, é uma licença com prazo dentro do aplicativo, e ele acaba junto com o contrato da plataforma.

3. Guarde o aluguel como saída fixa. Free Solo sai por preço de lanche no Prime Video, na Apple TV e no YouTube, e a compra avulsa não depende de assinatura nem de janela de catálogo.

O rodízio existe porque direito de exibição é vendido em fatia de tempo e de país, e documentário multiplica a conta por cada arquivo da montagem. A plataforma perde o título e não anuncia.

Programa escolhido, plataforma conferida e os minutos na frente: a segunda começa às 21h e termina no seu horário.

"Quanto da sua segunda já foi embora antes do play?"

 
 
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