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Um escalador sem corda e novecentos metros de granito. Veja por que o programa devolve a sala às 22h40.
O programa de hoje é Free Solo, de Elizabeth Chai Vasarhelyi e Jimmy Chin, no Disney+, 100 minutos. Play às 21h e ponto final às 22h40. Quem não assina o serviço encontra o filme pra alugar no Prime Video, na Apple TV e no YouTube, com 48 horas de prazo depois do primeiro play.
Alex Honnold tem 31 anos quando o filme começa, mora numa van havia quase uma década e escala sem corda, sem grampo e sem parceiro. A prática tem nome próprio dentro da escalada, free solo, e batiza o documentário.
O objetivo dele é o El Capitan, o paredão de granito do Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia. São cerca de novecentos metros de rocha quase vertical, pela via Freerider. Ninguém tinha subido aquilo sem corda antes.
A maior parte do filme não é a subida, é a preparação. Honnold repete a via com corda dezenas de vezes, anota cada movimento num caderno e decora a sequência como quem decora uma partitura.
Dois trechos ele não resolve na força. Um é o Boulder Problem, um lance a seiscentos metros do chão que termina num chute de karatê pra apoiar o pé numa borda do tamanho de um cartão. O outro é a fenda que exige o corpo travado dentro da rocha.
O segundo conflito do filme está atrás da câmera. Jimmy Chin e a equipe são escaladores profissionais e amigos de Honnold, e passam o filme discutindo se a presença deles atrapalha alguma coisa lá em cima. A dúvida aparece em voz alta, gravada, e não é resolvida.
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"Ninguém conquista nada de grande estando feliz e confortável."
Alex Honnold, em Free Solo, 2018
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Sanni McCandless entra na história no meio, e o filme não trata a namorada como alívio cômico. A relação vira o principal argumento contra a subida, e Honnold responde com uma frieza que o próprio documentário não tenta suavizar.
Uma cena curta explica boa parte do resto. Honnold entra numa ressonância magnética e a amígdala dele, a região que dispara o medo, praticamente não reage aos estímulos que acendem a de qualquer outra pessoa.
A subida real aconteceu em 3 de junho de 2017 e durou 3 horas e 56 minutos. O filme estreou em setembro de 2018, passou de 28 milhões de dólares em bilheteria e levou o Oscar de melhor documentário em fevereiro de 2019, além do BAFTA.
A duração trabalha a favor da segunda por um motivo estrutural. Os 100 minutos estão divididos em blocos curtos de treino, cada um com um obstáculo nomeado, e a subida final ocupa o trecho derradeiro. A atenção reinicia a cada bloco.
Um aviso honesto antes do play: quem tem medo de altura vai sentir. A câmera fica pendurada ao lado dele em plano aberto, sem truque de montagem, e o chão aparece o tempo todo no enquadramento. Quem preferir outra coisa encontra duas saídas logo abaixo.
Para as outras segundas, ele entrega exatamente o que a noite curta pede: uma pergunta só, um relógio na frente e ponto final às 22h40, com o despertador de terça intacto.
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