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Nostalgia da Luz entra e sai dos catálogos de streaming com frequência, e a oferta muda de um mês para outro. Busque pelo título em espanhol, Nostalgia de la luz, e confira se a cópia traz legenda em português.
Prefira o áudio original com legenda. As falas das mulheres de Calama têm o sotaque seco do norte chileno, e a narração calma de Guzmán, em espanhol, faz parte do ritmo do filme.
O filme também circula em mostras de cinema latino-americano e em cineclubes universitários, que costumam exibir a trilogia completa em sequência.
Guzmán nasceu em Santiago em 1941 e mora na França desde o exílio. Os três filmes da trilogia saíram como coproduções entre França e Chile, e por isso as cópias europeias costumam ser as mais fáceis de achar em mídia física.
O campo de Chacabuco
Na segunda metade do filme, Guzmán visita Chacabuco, vila operária de uma mina de salitre (o nitrato usado como adubo) abandonada décadas antes. A ditadura transformou as casas dos mineiros em campo de prisioneiros em 1973.
Luis Henríquez, ex-preso do campo, conta que um grupo de detentos aprendeu a reconhecer constelações com um colega que entendia de astronomia. Os militares proibiram as aulas: temiam que os presos usassem as estrelas para fugir pelo deserto.
Miguel Lawner, arquiteto, também passou por campos da ditadura. Media os pavilhões contando passos, desenhava as plantas à noite, rasgava os papéis antes de cada revista e guardava as medidas de cabeça. Depois de libertado, refez os desenhos no exílio.
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Os desenhos de Lawner mostram celas, banheiros e cercas com precisão de arquiteto. Guzmán filma as folhas uma a uma, como prova de que os campos existiram.
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Perto do final, Guzmán leva Violeta Berríos e Vicky Saavedra a um observatório. As duas olham pela lente de um telescópio, e o filme termina com elas diante do céu do mesmo deserto onde cavam.
Se for ver o filme, três passos:
1. Na abertura, repare no telescópio antigo: Guzmán volta a ele para ligar o céu às pás.
2. Quando Gaspar Galaz falar do cálcio, olhe a cena seguinte, com as mãos das mulheres na areia.
3. Na visita a Chacabuco, compare as casas vazias de hoje com as plantas desenhadas por Miguel Lawner.
Amanhã: Cléo das 5 às 7, de Agnès Varda, e a tarde de uma cantora em Paris à espera de um exame.
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