In partnership with

Pipoca Pronta   Pipoca Pronta
ED 089
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Guzmán procura 26 presos sob o céu do Atacama

Nostalgia da Luz, de 2010: telescópios apontados pro céu e mulheres com pás no mesmo deserto do norte do Chile.

Mulheres com pás no deserto do Atacama, sob um céu estrelado e cúpulas de observatório ao fundo.

O deserto do Atacama, no norte do Chile

▼
 

Violeta Berríos segurava uma pá curta quando falou à câmera de Patricio Guzmán, no deserto perto de Calama, norte do Chile: “Eu queria que os telescópios não olhassem só pro céu, que pudessem ver também através da terra”. Ela procura ali o companheiro, Mario Argüelles, levado pelos militares em 1973.

Violeta não cava sozinha. Um grupo de mulheres de Calama sai de casa cedo com pás, peneiras e garrafas de água, e passa o dia revirando a areia em busca de irmãos, maridos e filhos. Quando o filme é rodado, algumas repetem o percurso há mais de duas décadas.

Em outubro de 1973, logo depois do golpe, uma comitiva do Exército chefiada pelo general Sergio Arellano Stark percorreu o norte do país de helicóptero. Passou por Calama e tirou da cadeia local 26 presos políticos, que nunca voltaram para casa. A comitiva entrou para a história como Caravana da Morte.

Os corpos foram enterrados numa vala no deserto. Anos depois, máquinas voltaram ao local e levaram a maior parte dos restos para outro ponto, que os responsáveis jamais revelaram. Sobraram fragmentos: um dente, um pedaço de crânio, uma lasca de osso misturada às pedras.

A poucas dezenas de quilômetros dali, o mesmo deserto abriga alguns dos maiores observatórios astronômicos do planeta. O ar quase sem umidade deixa o céu limpo na maior parte das noites, e astrônomos de vários países vão até lá para olhar galáxias distantes.

Guzmán, cineasta chileno preso no Estádio Nacional de Santiago depois do golpe e exilado em seguida, filmou os dois grupos no mesmo chão. De um lado, gente que procura o começo do universo. Do outro, mulheres que procuram um osso.

O documentário se chama Nostalgia da Luz, tem 90 minutos e saiu em 2010. O Programa de Hoje conta quem são os cientistas que falam no filme, o que eles dizem sobre o cálcio dos ossos e quem encontrou o quê na areia.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Why Overseas Producers Can't Undercut Atlas Salt, Even for Free

Cities are already running short on road salt, and winter hasn't even started. Some supply bids are going unanswered, prices have nearly doubled in parts of the market, and the backup plan is two weeks away by boat. Here's why Atlas Salt (TSXV: SALT | OTCQX: SALQF) can get salt to the people who need it most, faster and cheaper than anyone shipping from overseas: 

• Three days by ship to Boston, not fourteen

• Shallow deposit that's cheaper and faster to mine

• Projected C$188M a year in free cash flow

• Export Development Canada interested in lending C$150M

• Early supply deal with top U.S. salt distributor

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  O Programa de Hoje

O cálcio das estrelas

Hoje a tela recebe Nostalgia da Luz (Nostalgia de la luz, no original em espanhol), documentário de Patricio Guzmán com 90 minutos. Dá play às 20h30 e, às 22h, a sala já pode acender a luz.

O filme estreou em sessão especial no Festival de Cannes de 2010 e ganhou, no mesmo ano, o prêmio de melhor documentário da Academia de Cinema Europeu. Guzmán já era conhecido por A Batalha do Chile, trilogia sobre os meses que antecederam o golpe de 1973.

A abertura mostra um telescópio antigo, de metal e engrenagens, girando dentro da cúpula. Guzmán narra em primeira pessoa e lembra a infância em Santiago, quando o Chile lhe parecia um país calmo, onde se olhava o céu do quintal.

O deserto entra como lugar de guardar o passado. O arqueólogo Lautaro Núñez explica que o ar seco conserva quase tudo: corpos de povos pré-colombianos (os que viviam ali antes da chegada dos europeus) saem da areia com pele e cabelo, milhares de anos depois.

Os astrônomos e as pás

O astrônomo Gaspar Galaz diz à câmera que o cálcio dos nossos ossos se formou nas estrelas, pouco depois do Big Bang (a grande explosão que deu início ao universo). As mulheres de Calama, nessa leitura, cavam atrás de matéria que veio do céu.

Galaz também lembra que toda luz chega atrasada. Quando um telescópio capta uma estrela, recebe a luz que saiu dela há muito tempo; o presente, para o astrônomo, já é passado. Guzmán usa a ideia para dizer que o Chile vive de costas para o próprio passado recente.

Vicky Saavedra encontrou no deserto um pé do irmão, José, ainda dentro do sapato. Diante da câmera, ela conta que reconheceu o sapato antes de reconhecer o osso.

Violeta Berríos procura Mario Argüelles desde 1973 e, quando o filme termina, ainda não achou nenhum fragmento dele. Ela diz a Guzmán que se contentaria com um osso só, mesmo pequeno, para ter onde enterrar e visitar.

Valentina Rodríguez, astrônoma, tem outra ligação com o deserto. Os pais dela foram presos pela polícia política da ditadura em 1975, quando ela era bebê, e nunca reapareceram. Ela foi criada pelos avós.

Valentina diz no filme que a astronomia a ajudou a ver a perda dentro de um ciclo maior, em que a matéria dos pais segue espalhada pelo universo. O filho dela aparece brincando em casa, e Guzmán encerra a sequência sem comentário.

 
 

II  Se a Noite Pedir Outra Coisa

A água e a cordilheira

Nostalgia da Luz abre uma trilogia. Guzmán fez mais dois filmes sobre a geografia do Chile e a ditadura, cada um preso a uma paisagem: o deserto aqui, o mar e a montanha nos seguintes. Os três podem ser vistos em qualquer ordem, porque cada filme apresenta de novo as pessoas e os fatos de que precisa.

O primeiro é O Botão de Pérola (El botón de nácar, no original), de 2015, com 82 minutos. Dá play às 20h30 e acaba às 21h52.

O filme desce até a Patagônia, onde o litoral se desfaz em milhares de ilhas. Guzmán conversa com descendentes dos kawésqar e dos selk'nam, povos indígenas que viviam da canoa e da pesca antes da chegada dos colonos.

O título carrega duas histórias. A primeira é a de Jemmy Button, rapaz indígena levado à Inglaterra em 1830 pelo capitão Robert FitzRoy, que pagou por ele com um botão de madrepérola (o material brilhante da parte de dentro das conchas).

FitzRoy comandava o Beagle, o navio que levou Charles Darwin à mesma região pouco depois. Jemmy Button voltou para casa a bordo dele, em 1833, já sem lugar certo entre os ingleses nem entre os seus.

A segunda é um botão achado grudado num trilho de ferro retirado do fundo do mar. Os militares amarravam trilhos aos corpos dos presos e os jogavam no oceano a partir de helicópteros.

Mergulhadores encontraram os trilhos décadas depois, no fundo da baía, cobertos de mariscos. O filme não identifica o dono do botão: o pedaço de nácar resistiu à água, o corpo não.

O Botão de Pérola ganhou o Urso de Prata de melhor roteiro no Festival de Berlim de 2015.

O segundo é A Cordilheira dos Sonhos (La cordillera de los sueños), de 2019, com 85 minutos. Dá play às 20h30 e acaba às 21h55.

Aqui o assunto é a cordilheira dos Andes, a parede de montanhas que cerca Santiago a leste. Guzmán ouve escultores, escritores e o cinegrafista Pablo Salas, que filmou protestos e prisões nas ruas da capital durante os anos 1980 e guardou as fitas em casa.

O filme recebeu o Olho de Ouro, prêmio de documentário do Festival de Cannes, em 2019.

Para escolher: quem gostou do deserto e quer ver o mar vai de O Botão de Pérola; quem prefere a cidade e o arquivo de imagens vai de A Cordilheira dos Sonhos.

 

Quem banca a edição de hoje

Your Fall Glow-Up Comes in Two Cups

Pique’s Radiant Skin Duo pairs antioxidant-rich Sun Goddess Matcha with B·T Fountain, a beauty electrolyte for hydrated, plump-looking skin. In a trial of B·T Fountain’s ceramides, hydration improved 37% and elasticity 36% by day 60. Subscribe for 20% off for life, backed by a 90-day money-back guarantee.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  Sai do Catálogo

O mapa feito de passos

Nostalgia da Luz entra e sai dos catálogos de streaming com frequência, e a oferta muda de um mês para outro. Busque pelo título em espanhol, Nostalgia de la luz, e confira se a cópia traz legenda em português.

Prefira o áudio original com legenda. As falas das mulheres de Calama têm o sotaque seco do norte chileno, e a narração calma de Guzmán, em espanhol, faz parte do ritmo do filme.

O filme também circula em mostras de cinema latino-americano e em cineclubes universitários, que costumam exibir a trilogia completa em sequência.

Guzmán nasceu em Santiago em 1941 e mora na França desde o exílio. Os três filmes da trilogia saíram como coproduções entre França e Chile, e por isso as cópias europeias costumam ser as mais fáceis de achar em mídia física.

O campo de Chacabuco

Na segunda metade do filme, Guzmán visita Chacabuco, vila operária de uma mina de salitre (o nitrato usado como adubo) abandonada décadas antes. A ditadura transformou as casas dos mineiros em campo de prisioneiros em 1973.

Luis Henríquez, ex-preso do campo, conta que um grupo de detentos aprendeu a reconhecer constelações com um colega que entendia de astronomia. Os militares proibiram as aulas: temiam que os presos usassem as estrelas para fugir pelo deserto.

Miguel Lawner, arquiteto, também passou por campos da ditadura. Media os pavilhões contando passos, desenhava as plantas à noite, rasgava os papéis antes de cada revista e guardava as medidas de cabeça. Depois de libertado, refez os desenhos no exílio.

Os desenhos de Lawner mostram celas, banheiros e cercas com precisão de arquiteto. Guzmán filma as folhas uma a uma, como prova de que os campos existiram.

Perto do final, Guzmán leva Violeta Berríos e Vicky Saavedra a um observatório. As duas olham pela lente de um telescópio, e o filme termina com elas diante do céu do mesmo deserto onde cavam.

Se for ver o filme, três passos:

1. Na abertura, repare no telescópio antigo: Guzmán volta a ele para ligar o céu às pás.

2. Quando Gaspar Galaz falar do cálcio, olhe a cena seguinte, com as mãos das mulheres na areia.

3. Na visita a Chacabuco, compare as casas vazias de hoje com as plantas desenhadas por Miguel Lawner.

Amanhã: Cléo das 5 às 7, de Agnès Varda, e a tarde de uma cantora em Paris à espera de um exame.

 
 
Quiz da edição

No filme, ao encontrar no deserto um fragmento do irmão José, o que Vicky Saavedra diz ter reconhecido primeiro, diante da câmera de Guzmán?

AUm dente
BO sapato
CUm pedaço de crânio
DUma lasca de osso

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

📺📺📺📺📺  ótima 📺📺📺📺  boa 📺📺📺  ok 📺📺  ruim 📺  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 04/11, 23h

A Stalker →
B Tio Boonmee →
C Laapataa Ladies →
D Não Estou Mais Aqui →
 
Recomendação de Newsletter
Versículo do Dia

Versículo do Dia

Todo dia, 05:05. Um versículo, o contexto que 2.000 anos de distância esconderam e o que muda quando você entende.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

Senta e relaxa. Só apertar o play.

Pipoca Pronta

PIPOCA PRONTA

Um programa por dia, com onde assistir e a duração

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter