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ED 008

Mad Max: Estrada da Fúria sustenta o sábado em 120 minutos

O filme de ação que não exige acompanhar trama: play às 21h na Max, créditos às 23h, e duas saídas nomeadas por humor.

Comboio de veículos remendados em alta velocidade sobre a areia de um deserto alaranjado ao entardecer, com um caminhão-tanque no meio da formação e rastros de poeira atrás.

Comboio em fuga pelo deserto ao entardecer

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São 21h de um sábado. A semana fechou, ninguém precisa acordar cedo e a sala fica com aquele tipo de energia gasta que não serve nem para conversa nem para trabalho.

Sábado tem um problema que domingo não tem: sobra tempo demais. Sem despertador armado do outro lado, a escolha do programa se estica sem limite, e a rolagem de capas acaba virando o programa da noite.

O aplicativo aproveita a folga. Ele abre com trailer tocando sozinho, empilha fileira em cima de fileira e devolve a decisão para quem sentou justamente para não decidir. Meia hora depois ninguém apertou play e a vontade de novidade já passou.

Existe um segundo custo, menos óbvio. No sábado à noite a cabeça chega no fim do estoque: quem passou seis dias decidindo coisa não quer um filme que exija montar linha do tempo, guardar nome de personagem e entender quem é primo de quem.

E existe um detalhe doméstico que quase ninguém coloca na conta. Sábado com gente em casa significa gente entrando e saindo, celular tocando e visita falando alto, e filme que depende de diálogo perde metade da história nesse vaivém.

Existe um formato que resolve o sábado melhor que os outros, e ele não é o suspense de trama cruzada. É o filme de perseguição, com um objetivo declarado nos primeiros dez minutos e nenhuma reviravolta escondida atrás de diálogo.

A vantagem prática está no esforço que o formato cobra. A história avança por imagem: quem está fugindo, de quem, e o que acontece se for alcançado. Levantar para pegar água na cozinha não custa a cena seguinte.

O programa de hoje é um desses, e ele nasceu de um jeito incomum de escrever. O diretor montou o filme inteiro em desenho antes de existir texto em prosa: mais de três mil quadros pregados na parede, para que a história se sustentasse na imagem. Está na Max e cabe entre as nove e as onze da noite.

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I  O Programa de Hoje

Uma perseguição de ida e volta

Duas horas de perseguição num deserto só. Veja por que o programa devolve a sala às 23h.

O programa de hoje é Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller, na Max, 120 minutos. Play às 21h e créditos às 23h. O filme está com dublagem em português e legenda, e a classificação é de 14 anos.

O mundo do filme cabe em três frases. A água acabou, a gasolina virou moeda e quem controla o poço controla todo mundo que mora embaixo dele.

Imperator Furiosa dirige o caminhão-tanque que sai da Cidadela numa rota conhecida, com carga combinada e escolta armada. No meio do caminho ela tira o caminhão da estrada e vira para o lado errado.

O que ela leva escondido não é gasolina. São cinco mulheres que pertenciam a Immortan Joe, o dono do poço, e que decidiram parar de pertencer.

Max entra na história como refém. Ele é capturado antes de a abertura terminar, vira reserva viva de um dos soldados doentes do exército de Joe e passa boa parte do primeiro ato amarrado na frente de um carro em movimento.

A partir daí o filme é uma coisa só: um comboio atrás do outro, no deserto, com o ponteiro do combustível fazendo o papel de contagem regressiva.

A virada estrutural chega na metade. O lugar verde que Furiosa persegue há anos não existe mais, e o grupo precisa escolher entre seguir para frente, no nada, ou voltar pelo mesmo caminho até a Cidadela. A volta é o segundo ato inteiro.

"Não se tornem viciados em água, meus amigos. Ela domina você, e a ausência dela pesa."

Immortan Joe, em Mad Max: Estrada da Fúria, 2015

A produção explica por que a imagem segura a atenção sem apoio de diálogo. Quase tudo que aparece na tela foi filmado de verdade no deserto da Namíbia, com veículos construídos para a filmagem e pilotados por dublês, e o computador entrou mais para apagar cabo de segurança do que para inventar cena.

A montagem é de Margaret Sixel, que nunca tinha cortado um filme de ação antes desse. Miller a escalou de propósito, para que o corte não saísse com o vício do gênero, e ela passou quase três anos organizando cerca de 480 horas de material bruto.

O resultado é a razão de o filme não cansar. Nenhum plano fica na tela tempo demais, o ponto de interesse cai quase sempre no centro do quadro e você entende a geografia da perseguição sem precisar voltar dez segundos.

O filme concorreu a dez Oscars na cerimônia de 2016 e levou seis, todos técnicos: montagem, direção de arte, figurino, maquiagem e as duas categorias de som.

Um aviso honesto antes do play: o volume. O filme foi mixado para sala grande, a diferença entre a fala baixa e a batida dos motores é enorme na TV de casa, e a legenda resolve melhor do que subir o som no meio da cena.

Para o sábado, ele entrega exatamente o que a noite pede: objetivo claro nos primeiros dez minutos, nada para decorar e créditos às 23h, com a noite ainda inteira do lado de fora.

 
 

II  Se a Noite Pedir Outra Coisa

Caçada ou Saga

O sábado não é escolhido pelo gosto, é escolhido pelo fôlego que sobrou da semana. A conta muda o programa inteiro: curto devolve a sala antes das onze, longo avança na madrugada e cobra uma atenção que o sábado talvez não queira dar.

Se a noite pedir menos peso, o programa é Mad Max 2: A Caçada Continua, do mesmo George Miller, na Max, 96 minutos. Play às 21h e ponto final às 22h36.

Max aqui é um sujeito sozinho, com um cachorro e um V8 preto, catando combustível numa estrada australiana onde a lei acabou antes da gasolina.

Ele encontra uma comunidade pequena que tomou conta de uma refinaria e está cercada por um bando que quer o que está lá dentro. O acordo é direto: ele dirige o caminhão-tanque e leva o que couber no porta-malas.

Os primeiros vinte minutos quase não têm diálogo, e a última meia hora é uma perseguição só, com o caminhão no meio da estrada e o bando dos dois lados.

O filme é de 1981, foi rodado perto de Broken Hill, na Austrália, e custou uma fração do orçamento de qualquer ação de estúdio da época. O visual que ele inventou, couro, máscara e carro remendado, foi copiado por quarenta anos.

Serve para o sábado em que a semana já cobrou o bastante. Dá para olhar o celular no meio e voltar sem perder o fio, e os 96 minutos devolvem a sala antes das onze.

Se a noite pedir mais, o programa é Furiosa: Uma Saga Mad Max, também de Miller, na Max, 148 minutos. Play às 21h e ponto final às 23h28.

É a história de antes: como a menina arrancada de um lugar verde e fértil vira a motorista que dirige o caminhão da Cidadela. Anya Taylor-Joy e Alyla Browne dividem o papel, uma na vida adulta e outra na infância.

Do outro lado está Dementus, chefe de um bando motorizado, vivido por Chris Hemsworth com nariz protético e capa branca. É a figura mais falante que a série já colocou em cena.

A diferença de estrutura é o que muda a noite. Furiosa é dividido em cinco capítulos, com anos passando entre eles, e pede que você acompanhe a linha do tempo, coisa que o programa de hoje não pede em nenhum minuto.

Estreou em Cannes em 2024, fora de competição, e ficou longe da bilheteria do filme anterior.

A diferença entre os dois está na saída, e nunca na qualidade. A Caçada Continua devolve você para a sala antes das onze. Furiosa termina às 23h28 e rende meia hora de conversa depois dos créditos.

Regra de bolso para hoje: se o sábado já veio cansado, vá de A Caçada Continua. Se a noite é daquelas em que ninguém tem pressa de dormir, Furiosa aproveita a hora extra e devolve alguma coisa em troca.

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III  Sai do Catálogo

A data na ficha e o plano B

Mad Max: Estrada da Fúria mora na casa do próprio estúdio, e é justamente por causa disto que a data de saída dele pega o assinante desprevenido.

A Max é o serviço da Warner e o filme é da Warner. A intuição diz que ele fica ali para sempre. A prática diz outra coisa: estúdio dono do catálogo vende janela do próprio acervo para serviço concorrente, e enquanto a janela corre o título some da casa.

A série inteira já fez esse trajeto no Brasil mais de uma vez. Os filmes já apareceram em serviço de assinatura concorrente e em canal de cinema por assinatura, sumiram da casa e voltaram depois.

A consequência prática é simples. A fileira que você vê no aplicativo é uma janela com prazo, e não uma prateleira de casa.

Onde a data aparece é a parte que quase ninguém procura. O serviço mantém uma fileira de saída, com nome do tipo últimos dias, e a ficha do título traz o dia em que ele deixa o catálogo. A capa da fileira não traz a data.

Aqui existe uma saída que nem todo catálogo oferece. A Warner coloca esses filmes para aluguel avulso nas lojas digitais, então existe plano B no Prime Video, na Apple TV, no YouTube e no Google TV, na faixa de dez a quinze reais por 48 horas.

O aluguel resolve a noite, e não resolve a estante. Compra digital dura enquanto a loja existir e a licença continuar de pé, e o disco em Blu-ray é a única cópia que não depende de renovação.

A fileira Continuar Assistindo também não segura nada. Quando a janela fecha, a linha some com o seu progresso junto.

1. Antes do play, abra a ficha do título e procure a linha de disponibilidade. É ali que a data de saída aparece, e ela nunca aparece na capa da fileira.

2. Se o sábado depende de um título específico, deixe baixado desde a tarde. O download não é cópia, é uma licença com prazo dentro do aplicativo, e ele expira junto com a janela do contrato.

3. Coloque o filme na sua lista antes de fechar o aplicativo. É a única maneira de o serviço avisar quando a data de saída aparecer na ficha.

O rodízio existe porque direito de exibição é vendido em fatia de tempo e de país, e nem o dono do filme abre mão de vender a própria janela.

Ficha conferida, download feito e o relógio a favor: o sábado começa às 21h e termina às 23h.

"Quantos sábados você já gastou escolhendo em vez de assistir?"

 
 
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