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Duas horas de perseguição num deserto só. Veja por que o programa devolve a sala às 23h.
O programa de hoje é Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller, na Max, 120 minutos. Play às 21h e créditos às 23h. O filme está com dublagem em português e legenda, e a classificação é de 14 anos.
O mundo do filme cabe em três frases. A água acabou, a gasolina virou moeda e quem controla o poço controla todo mundo que mora embaixo dele.
Imperator Furiosa dirige o caminhão-tanque que sai da Cidadela numa rota conhecida, com carga combinada e escolta armada. No meio do caminho ela tira o caminhão da estrada e vira para o lado errado.
O que ela leva escondido não é gasolina. São cinco mulheres que pertenciam a Immortan Joe, o dono do poço, e que decidiram parar de pertencer.
Max entra na história como refém. Ele é capturado antes de a abertura terminar, vira reserva viva de um dos soldados doentes do exército de Joe e passa boa parte do primeiro ato amarrado na frente de um carro em movimento.
A partir daí o filme é uma coisa só: um comboio atrás do outro, no deserto, com o ponteiro do combustível fazendo o papel de contagem regressiva.
A virada estrutural chega na metade. O lugar verde que Furiosa persegue há anos não existe mais, e o grupo precisa escolher entre seguir para frente, no nada, ou voltar pelo mesmo caminho até a Cidadela. A volta é o segundo ato inteiro.
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"Não se tornem viciados em água, meus amigos. Ela domina você, e a ausência dela pesa."
Immortan Joe, em Mad Max: Estrada da Fúria, 2015
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A produção explica por que a imagem segura a atenção sem apoio de diálogo. Quase tudo que aparece na tela foi filmado de verdade no deserto da Namíbia, com veículos construídos para a filmagem e pilotados por dublês, e o computador entrou mais para apagar cabo de segurança do que para inventar cena.
A montagem é de Margaret Sixel, que nunca tinha cortado um filme de ação antes desse. Miller a escalou de propósito, para que o corte não saísse com o vício do gênero, e ela passou quase três anos organizando cerca de 480 horas de material bruto.
O resultado é a razão de o filme não cansar. Nenhum plano fica na tela tempo demais, o ponto de interesse cai quase sempre no centro do quadro e você entende a geografia da perseguição sem precisar voltar dez segundos.
O filme concorreu a dez Oscars na cerimônia de 2016 e levou seis, todos técnicos: montagem, direção de arte, figurino, maquiagem e as duas categorias de som.
Um aviso honesto antes do play: o volume. O filme foi mixado para sala grande, a diferença entre a fala baixa e a batida dos motores é enorme na TV de casa, e a legenda resolve melhor do que subir o som no meio da cena.
Para o sábado, ele entrega exatamente o que a noite pede: objetivo claro nos primeiros dez minutos, nada para decorar e créditos às 23h, com a noite ainda inteira do lado de fora.
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