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Hoje a tela recebe Decisão de Partir, policial romântico dirigido por Park Chan-wook, lançado em 2022, com 138 minutos. Começa às 20h30 e os créditos sobem às 22h48.
Hae-jun é Park Hae-il, ator coreano conhecido de Memórias de um Assassino, de Bong Joon-ho. Seo-rae é Tang Wei, atriz chinesa que estreou no cinema em Desejo e Perigo, de Ang Lee. O roteiro Park escreveu com Jeong Seo-kyeong, parceira dele desde Lady Vingança.
Park contou em entrevistas que partiu de duas fontes: os romances policiais suecos de Maj Sjöwall e Per Wahlöö, com o detetive Martin Beck, e a canção coreana Névoa, gravada por Jung Hoon-hee em 1967. A música toca várias vezes no filme, no carro, na cozinha e no fim.
O relógio que contou os passos
Seo-rae diz ter passado a manhã cuidando de uma senhora idosa. O que a trai é o relógio inteligente que usava no pulso. Hae-jun descobre que o aparelho registrou a subida de um morro inteiro, degrau por degrau, na hora exata da queda de Do-soo.
Ela tinha subido a montanha pelo outro lado. Empurrou o marido, que a agredia e a ameaçava com a deportação. Hae-jun prova o crime sozinho, de madrugada, refazendo a trilha com o próprio relógio.
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O detetive resolve o caso e, no mesmo gesto, decide esconder a prova.
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Ele leva Seo-rae até a beira do mar e pede que ela jogue o celular na água, para ninguém achar as gravações. Pede também que ela nunca mais o procure. Depois pede transferência para Ipo, onde vive a esposa, e diz a si mesmo que está “destruído”.
Treze meses depois, Seo-rae aparece no mercado de Ipo, de braço dado com um novo marido. Ele é Im Ho-shin, um investidor que deve dinheiro a gente perigosa. Dias depois, Ho-shin aparece sem vida na piscina de casa, e Hae-jun volta a vigiar a mesma mulher.
Na fala mais lembrada do filme, Seo-rae conta que o amor dela começou no momento em que ele se disse destruído (Decisão de Partir, roteiro de Park Chan-wook e Jeong Seo-kyeong, 2022).
A frase explica o filme inteiro. Para Seo-rae, o homem que escondeu a prova por ela fez a única declaração de amor que importava.
Park filma essa relação quase sem toque. Os dois trocam olhares pelo vidro da sala de interrogatório, mensagens curtas pelo celular e receitas de comida chinesa. A tensão mora nos objetos: o colírio, o relógio, o binóculo, o guardanapo dobrado. Quem espera cena de cama sai sem ela, e o filme ganha com a ausência.
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