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O raio cai às 22h04 e Marty tem um minuto para voltar
São 116 minutos: play às 20h30, ponto final às 22h26, e um carro esportivo que precisa cruzar um fio a 88 milhas por hora na hora exata.
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O raio, a torre do relógio e um minuto de prazo
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“Estradas? Para onde nós vamos, não precisamos de estradas", diz Emmett Brown na rua em frente à casa dos McFly, em Hill Valley, com a porta do carro ainda levantada e o motor ligado. São as últimas palavras ditas no filme, e elas encerram a história abrindo outra. De Volta para o Futuro chegou às salas dos Estados Unidos em 3 de julho de 1985, dirigido por Robert Zemeckis a partir de roteiro dele com Bob Gale, e com Steven Spielberg como produtor executivo. São 116 minutos que cabem numa frase: um rapaz de dezessete anos cai em 1955, atrapalha o encontro dos próprios pais e precisa consertar o estrago antes de desaparecer da fotografia que carrega no bolso. O motor da história é uma conta de energia. A máquina montada dentro do carro precisa de uma carga que nenhuma tomada de 1955 entrega, e a única fonte disponível na cidade inteira é um raio anunciado com antecedência: o que vai cair na torre do relógio da prefeitura às 22h04 de 6 de novembro de 1955. Marty McFly sabe do horário por acaso. Uma senhora distribui panfletos na praça de Hill Valley pedindo doação para consertar o relógio parado, e o papel traz impresso o dia e a hora em que o raio atingiu a torre. O filme pega um folheto de rua, guarda no bolso do personagem e transforma aquilo em cronômetro. A produção demorou a sair do papel. Zemeckis e Gale bateram na porta de estúdio atrás de estúdio durante anos, ouvindo que a comédia adolescente era inocente demais para o gosto da época e não teria público, até Spielberg segurar o projeto na Universal. A escalação quase deu outro filme. Eric Stoltz gravou cerca de cinco semanas no papel de Marty antes de a direção concluir que a peça não encaixava, e Michael J. Fox entrou com a produção já rodando, gravando a série Family Ties durante o dia e o longa de madrugada. O programa de hoje tem um skate preso na traseira de uma caminhonete, um professor de cabelo branco e olhos arregalados, um carro esportivo de aço inoxidável com portas que abrem para cima, um baile de escola chamado Encanto ao Luar e um cabo de energia atravessando a rua principal de uma cidade pequena. Continue lendo ↓ |
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I O Programa de Hoje
Cento e dezesseis minutos entre uma garagem e uma torre de relógio
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O programa de hoje é De Volta para o Futuro, disponível em serviço por assinatura e também por aluguel avulso nas lojas digitais, 116 minutos. Play às 20h30 e ponto final às 22h26. Direção de Robert Zemeckis, roteiro dele com Bob Gale, produção norte-americana de 1985 pela Universal, com legendas e dublagem em português.
Michael J. Fox faz Marty McFly, o filho do meio que toca guitarra e chega atrasado em tudo. Christopher Lloyd faz o cientista Emmett Brown, Lea Thompson faz Lorraine e Crispin Glover faz George, os pais de Marty nas duas épocas, e Thomas F. Wilson faz Biff Tannen, o valentão que persegue a família por trinta anos.
A abertura gasta cinco minutos mostrando relógios. A garagem de Doc Brown tem dezenas deles pendurados, todos adiantados, e o filme avisa desde o primeiro plano que o assunto da próxima hora e meia é horário perdido e horário recuperado.
A máquina aparece no estacionamento de um centro comercial, de madrugada. Doc montou o mecanismo dentro de um DeLorean DMC-12, carro esportivo de aço escovado fabricado na Irlanda do Norte, e explica que o aparelho, batizado por ele de capacitor de fluxo (a peça que, no filme, torna a viagem possível), exige 1,21 gigawatt de energia e o carro em movimento a 88 milhas por hora, o que dá cerca de 142 quilômetros por hora.
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A cena que organiza o filme inteiro dura menos de dois minutos. Doc pendura um cabo entre a torre do relógio e um poste na rua, Marty acelera o carro no outro extremo da praça, e o raio precisa atingir a torre no exato instante em que um gancho de metal encosta no fio. O galho que derruba o cabo, a corrida do cientista pelo telhado e a partida do motor entram todos no mesmo minuto de 22h03 a 22h04.
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O problema que Marty resolve em 1955 é doméstico. O acidente que aproximou os pais dele acontece de novo com a pessoa errada, e Lorraine se apaixona pelo filho sem saber quem ele é. A fotografia de família que ele carrega começa a apagar, irmão por irmão, e serve de marcador visual do prazo.
A saída passa por George McFly. O pai tímido, que apanha de Biff e escreve ficção científica escondido, precisa dar um soco no estacionamento do baile para que o casal se forme. O filme faz questão de mostrar que o rapaz de 1985 volta para uma casa diferente porque o pai de 1955 mudou uma vez só de atitude.
Alan Silvestri escreveu a trilha com orquestra grande, e a canção The Power of Love, do grupo Huey Lewis and the News, abre e fecha a história. Huey Lewis aparece de relance como o professor que reprova a banda de Marty na audição da escola.
O filme levou o Oscar de melhor edição de som na cerimônia de 1986, com indicações a roteiro original, som e canção original. E há um detalhe de bastidor que costuma parecer invenção: o chefe do estúdio, Sid Sheinberg, mandou um memorando sugerindo trocar o título para algo com a palavra Plutão, e Spielberg respondeu agradecendo a piada engraçada, encerrando o assunto sem confronto.
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II Se a Noite Pedir Outra Coisa
Um dia que se repete ou um mapa de pirata na mesma década
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Nem toda mesa quer conta de física às nove da noite. As duas saídas de hoje ficam perto do programa principal por caminhos opostos: uma mantém o relógio como vilão e tira o carro da história, a outra mantém a aventura de garoto dos anos 1980 e deixa o tempo em paz.
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Se a noite pedir outro jogo com hora marcada, o programa é O Feitiço do Tempo, disponível em serviço por assinatura, 101 minutos. Play às 20h30 e ponto final às 22h11.
Harold Ramis dirige em 1993 um repórter de televisão mal-humorado, vivido por Bill Murray, mandado cobrir a festa da marmota numa cidade pequena da Pensilvânia. Ele acorda no mesmo 2 de fevereiro todas as manhãs, com o mesmo despertador tocando a mesma música, e ninguém à volta percebe a repetição. Andie MacDowell faz a produtora Rita.
A ponte com o programa principal está no uso do calendário como obstáculo. Zemeckis dá ao personagem um minuto exato e uma só chance; Ramis dá tentativas infinitas e nenhuma saída, e o sufoco vem justamente do estoque ilimitado de manhãs iguais. Os dois filmes terminam quando o protagonista aprende a mexer em si, não na máquina.
Se a noite pedir aventura de bicicleta e porão, o programa é Os Goonies, disponível por aluguel avulso nas lojas digitais, 114 minutos. Play às 20h30 e ponto final às 22h24.
Richard Donner dirige em 1985 um grupo de crianças de uma cidade litorânea do Oregon que acha um mapa de pirata no sótão e desce por túneis atrás de um tesouro capaz de salvar as casas do bairro da demolição. Sean Astin, Josh Brolin, Corey Feldman e Ke Huy Quan formam a turma, e o argumento também é de Steven Spielberg, da mesma safra de 1985.
Regra de bolso para a noite: se a mesa gosta de comédia seca e aguenta ver a mesma cena voltar dezenas de vezes com pequenas variações, vá de O Feitiço do Tempo. Se a casa tem criança ou quem cresceu nos anos 1980 querendo barulho e correria, Os Goonies entrega o mesmo clima de bicicleta ao anoitecer que abre o programa de hoje.
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