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O rei Arthur que cavalga sem cavalo
Terry Gilliam e Terry Jones, 1975, 91 minutos: play às 20h30 e 2 metades de coco.
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Arthur e Patsy com os cocos na estrada
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Diante das muralhas de um castelo na Inglaterra do ano 932, um sentinela escuta o rei Arthur anunciar que cavalgou o reino inteiro e pergunta a ele: "Onde vocês arranjaram os cocos?" Não existe cavalo nenhum. Arthur avança a pé, dando pulinhos de quem galopa, e atrás dele o escudeiro Patsy bate duas metades de coco uma na outra para imitar o som dos cascos. O sentinela não se convence. Coco é fruta dos trópicos, a Inglaterra fica longe dos trópicos, e os dois passam os minutos seguintes discutindo se uma andorinha conseguiria atravessar o mar carregando um coco no bico. O rei desiste da conversa e segue viagem. O filme se chama Monty Python em Busca do Cálice Sagrado, título original Monty Python and the Holy Grail, lançado em 1975. Tem 91 minutos e foi dirigido por Terry Gilliam e Terry Jones, dois dos seis integrantes do Monty Python, grupo inglês de comédia nascido na televisão da BBC em 1969. Os seis estão no elenco e se revezam em dezenas de papéis. Graham Chapman faz Arthur. John Cleese faz Sir Lancelot e o Cavaleiro Negro. Eric Idle faz Sir Robin, o cavaleiro medroso. Michael Palin faz Sir Galahad e um camponês que discute política com o rei. Terry Jones faz Sir Bedevere. Terry Gilliam faz Patsy, o homem dos cocos. A missão é a da lenda: encontrar o Santo Graal (o cálice que Jesus teria usado na última ceia, segundo a tradição cristã). Quem entrega a tarefa a Arthur é Deus em pessoa, uma foto recortada entre nuvens que reclama de tanta reverência. Quem aperta o play às 20h30 chega aos créditos às 22h01, e os créditos já começam tortos: legendas num sueco inventado contam a história de um alce que mordeu a irmã de alguém, até os responsáveis serem demitidos na própria tela. O Programa de Hoje segue os cavaleiros da primeira porta fechada até a última, onde a busca pelo Graal esbarra num problema que nenhuma lenda previa: a polícia. Continue lendo ↓ |
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I O Programa de Hoje
I, Um cavaleiro sem braços e um coelho feroz
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O programa desta noite é Monty Python em Busca do Cálice Sagrado, comédia inglesa de 1975, 91 minutos, com edições em DVD e Blu-ray e aluguel nas lojas digitais de filmes. Play às 20h30 e ponto final às 22h01.
A viagem começa pelo recrutamento. Bedevere entra no grupo depois de provar a uma aldeia que uma moça é bruxa: bruxa queima, madeira queima, madeira flutua, pato flutua, então quem pesa o mesmo que um pato é feita de madeira. A balança confirma, e Arthur fica impressionado.
Lancelot, Galahad e Robin completam a távola. Robin viaja com um menestrel que canta, estrofe por estrofe, todas as vezes em que o patrão fugiu de uma briga.
Numa ponte da floresta, o Cavaleiro Negro bloqueia a passagem. Arthur corta um braço dele, depois o outro, depois as duas pernas. O cavaleiro segue desafiando o rei, chama cada golpe de arranhão e, reduzido a um tronco no chão, propõe um empate.
O primeiro castelo com cheiro de Graal está ocupado por soldados franceses. O sentinela, vivido por Cleese com sotaque carregado, avisa que eles já têm um cálice, ofende a mãe de Arthur e arremessa uma vaca por cima da muralha.
Bedevere tem um plano: um coelho de madeira gigante, à moda do cavalo de Troia. Os franceses puxam o presente para dentro. Os cavaleiros esqueceram de entrar nele, e o coelho volta voando por cima do muro.
O grupo se separa. Galahad vai parar num castelo habitado só por moças e é arrancado de lá por Lancelot contra a própria vontade. Robin foge de um cavaleiro de três cabeças que briga consigo mesmo. Lancelot invade um casamento, ataca os convidados e descobre que o bilhete de socorro era de um príncipe que não queria casar.
Arthur e Bedevere encontram os Cavaleiros que Dizem Ni, guardiões de um bosque, que exigem um arbusto de jardim como pedágio. Recebem o arbusto e pedem outro, mais um carvalho derrubado com um arenque.
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O mago Tim, vivido por Cleese, leva o grupo à caverna de Caerbannog e avisa sobre o guardião. É um coelho branco. Os cavaleiros riem, avançam, e o coelho salta nos pescoços deles. Arthur só passa com a Santa Granada de Mão de Antioquia, lida num livro sagrado que manda contar até três, nem dois, nem cinco.
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Na parede da caverna, uma inscrição aponta o castelo de Aaargh como morada do Graal. No caminho fica uma ponte vigiada por um velho que faz três perguntas. Galahad erra a própria cor favorita e é lançado no abismo. Arthur devolve uma pergunta sobre andorinhas, e o velho é que cai.
Enquanto a busca avança, uma investigação corre por fora. No começo do filme, um historiador de televisão que explicava a lenda para a câmera é derrubado por um cavaleiro montado, a cavalo de verdade, e a polícia passa a procurar o culpado. Lancelot é preso no caminho.
No fim, Arthur reúne um exército medieval diante do castelo de Aaargh, ocupado de novo pelos franceses. Na hora da carga, chegam as viaturas. Policiais algemam Arthur e Bedevere, um deles tapa a lente da câmera, e o filme acaba ali, sem Graal e sem batalha.
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II Se a Noite Pedir Outra Coisa
II, Um messias por engano e um mapa roubado
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As duas saídas desta noite ficam com os homens que dirigiram o Graal: uma com Terry Jones, a outra com Terry Gilliam.
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Se a noite pedir o grupo inteiro de novo, o programa é A Vida de Brian, título original Monty Python's Life of Brian, dirigido por Terry Jones em 1979, 94 minutos, com edições em disco e aluguel digital. Play às 20h30 e ponto final às 22h04.
Graham Chapman volta como protagonista, agora Brian Cohen, um judeu comum nascido na manjedoura vizinha à de Jesus, na mesma noite. Uma sequência de mal-entendidos transforma Brian em profeta contra a vontade, com uma multidão que venera até a sandália que ele perde na fuga.
O dinheiro quase não apareceu. A produtora EMI desistiu do projeto às vésperas das filmagens, e George Harrison, ex-integrante dos Beatles e fã do grupo, fundou a HandMade Films só para bancar o filme. Harrison chamou o gasto de o ingresso de cinema mais caro da história.
O desfecho troca a lenda pela canção. Brian termina pregado numa cruz entre dezenas de condenados, ninguém vem salvá-lo, e Eric Idle puxa Always Look on the Bright Side of Life (sempre olhe o lado bom da vida), assobiada pelo coro inteiro até os créditos.
Se a noite pedir a fantasia visual de Gilliam, o programa é Os Bandidos do Tempo, título original Time Bandits, de Terry Gilliam, 1981, 116 minutos, encontrado em edições em disco. Play às 20h30 e ponto final às 22h26.
Kevin, menino inglês de 11 anos, vê seis ladrões baixinhos saírem do guarda-roupa com um mapa dos buracos do tempo, roubado do Ser Supremo, o criador do universo. Juntos, visitam Napoleão, vivido por Ian Holm, Robin Hood, vivido por John Cleese, e o rei Agamêmnon, vivido por Sean Connery.
Michael Palin escreveu o roteiro com Gilliam e aparece como um nobre azarado. O filme saiu pela mesma HandMade Films, e Harrison compôs a canção dos créditos, Dream Away (sonhe para longe).
O final é o mais estranho da noite. Os pais de Kevin tocam num pedaço de mal concentrado que sobrou da aventura e somem num estouro. O menino fica sozinho na calçada, e o bombeiro que o resgatou, vivido por Connery, dá uma piscada.
Regra de bolso: se a casa quer continuar rindo do mesmo grupo, vá de A Vida de Brian. Se quer ver para onde a imaginação de Gilliam foi depois dos cocos, vá de Os Bandidos do Tempo.
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