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Na tela de hoje entra Thelma & Louise, drama de estrada dirigido por Ridley Scott, lançado em 1991, com 130 minutos. Começa às 20h30 e os créditos sobem às 22h40.
Louise é Susan Sarandon, que vinha do sucesso de Sorte no Amor, filme de beisebol de 1988. Thelma é Geena Davis, vencedora do Oscar de atriz coadjuvante por O Turista Acidental. Harvey Keitel faz Hal Slocumb, o detetive de Arkansas que entende as duas antes de qualquer outro policial.
O roteiro é de Callie Khouri, que trabalhava como produtora de videoclipes em Los Angeles e nunca tinha vendido um texto pro cinema. Ela contou em entrevistas que a história nasceu de uma frase só: duas mulheres saem pra uma farra, cometem um crime e fogem.
Ridley Scott entrou no projeto como produtor e procurou outros diretores. Sem fechar com nenhum, assumiu ele mesmo a câmera, e levou pra estrada o gosto por paisagem enorme que tinha mostrado em Alien e Blade Runner.
O caminho que evita o Texas
A rota mais curta até o México passa pelo Texas, e Louise se recusa a pisar no estado. Ela traça no mapa um desvio por Oklahoma, Novo México e Arizona, e fica furiosa quando Thelma toca no assunto.
O filme nunca diz com todas as letras o que aconteceu lá. No telefone, Hal avisa a Louise que sabe o que se passou com ela no Texas, e ela desliga. Khouri e Sarandon contaram depois que a personagem tinha sido estuprada ali, sem que ninguém acreditasse nela. Na tela, a história fica só no silêncio de Louise, e dá sentido à pressa do tiro no estacionamento.
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Louise atira em Harlan pelo que ele disse, não pelo que ele fez.
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Num motel de Oklahoma entra J.D., caroneiro vivido por Brad Pitt, então quase desconhecido. Ele passa a noite com Thelma, conta que assalta lojas de conveniência com um discurso educado e, de manhã, some com os 6.700 dólares que Louise tinha juntado a vida toda.
Thelma reage do jeito que ninguém espera. Entra numa loja de beira de estrada e repete, palavra por palavra, o discurso de J.D., com o revólver na mão. Louise espera no carro sem saber de nada, até ver a amiga correndo com a sacola de dinheiro.
Na estrada, Thelma resume a mudança: “Algo atravessou em mim e eu não consigo voltar” (Thelma & Louise, roteiro de Callie Khouri, 1991).
A frase marca a troca de lugar entre as duas. A amiga assustada vira a que puxa a viagem, e Louise, que planejou tudo, passa a ser a que hesita.
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