|
|
|
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
|
|
|
Você escolhe as próximas edições: a votação está no fim desta edição.
|
| {{subiu_orn | }} |
{{subiu_num | }} |
{{subiu_orn | }} |
{{subiu_caps | }}
{{subiu_linha | }}
|
|
Os 9 selos falsos que serviam de isca pro vigarista
Fabián Bielinsky, 2000, 114 minutos: play às 20h30 e dois trapaceiros vendendo selos raros num hotel.
|
Marcos e Juan com a folha das Nove Rainhas
|
| ▼ |
| |
Juan entra numa loja de conveniência de Buenos Aires às seis da manhã, paga um maço de cigarros com uma nota de 50 pesos e, quando a caixa entrega o troco, avisa: “Espera, acho que tenho trocado.” Ele devolve umas moedas, pede a nota de volta, embaralha as cédulas no balcão e sai com 50 pesos que não eram dele. A caixa não percebe a manobra. Juan, vivido por Gastón Pauls, volta minutos depois e tenta repetir o truque com a caixa do turno seguinte. Ela conta as notas devagar, entende a troca e chama o gerente. Um homem de terno que tomava café no fundo da loja se aproxima, mostra uma carteira qualquer, diz que é policial e leva Juan pelo braço até a calçada. A caixa agradece. Na esquina, o homem solta o braço do rapaz. Chama-se Marcos, é vivido por Ricardo Darín e não tem distintivo nenhum: é vigarista de profissão e acabou de livrar outro vigarista da cadeia. Marcos explica a jogada. O parceiro dele sumiu na semana anterior, e trabalhar sozinho na cidade é arriscado. Propõe a Juan uma sociedade de um dia só, com divisão meio a meio do que entrar. Juan aceita. Nas horas seguintes, os dois aplicam trapaças pequenas de rua: troco errado, conversa fiada com desconhecidos, uma gorjeta que volta para o bolso de quem deu. Marcos ensina cada truque como professor de ofício, e Juan aprende rápido, sem perguntar demais de onde vem tanta prática. Perto do meio-dia, o telefone de Marcos toca. A ligação traz a proposta que muda o tamanho do dia: uma folha de selos falsificada e um comprador estrangeiro com pressa de ir embora. O Programa de Hoje segue os dois parceiros atrás desse comprador e mostra quem, de fato, estava sendo vigiado desde a loja de conveniência. Continue lendo ↓ |
|
|
|
I O Programa de Hoje
I, Uma folha de selos e um colecionador com voo marcado
|
|
O programa desta noite é Nove Rainhas, título original Nueve Reinas, filme argentino de 2000, 114 minutos, escrito e dirigido por Fabián Bielinsky, com Ricardo Darín, Gastón Pauls e Leticia Brédice. Play às 20h30 e ponto final às 22h24.
Quem liga para Marcos é Valeria, a irmã dele, vivida por Leticia Brédice. Ela trabalha num hotel de luxo do centro e avisa que um velho conhecido do irmão passou mal no saguão e pergunta por ele.
O conhecido é Sandler, falsificador aposentado. Ele guarda uma cópia perfeita das Nove Rainhas, uma folha de selos da República de Weimar (o governo alemão entre 1919 e 1933) impressa com um erro de fábrica que a tornou rara.
No mesmo hotel está hospedado Ramón Gandolfo, colecionador espanhol de selos, que será expulso da Argentina na manhã seguinte por negócios mal explicados. Ele quer a folha antes do voo.
Sandler, doente, não tem como fazer a venda. Oferece a cópia a Marcos em troca de uma parte do lucro. Marcos chama Juan para o serviço, e os dois atravessam a cidade atrás de Berta, irmã do falsificador, que guarda a folha em casa.
Gandolfo recebe a dupla na suíte, examina os selos com lupa e chama um perito. O perito aprova a peça. O colecionador oferece 450 mil dólares e marca a entrega do dinheiro para a noite.
|
Na saída do hotel, dois homens de moto arrancam a pasta das mãos de Marcos, cruzam a avenida e jogam a folha falsa no rio. A cópia que valia 450 mil dólares afunda em segundos.
|
Sem a cópia, Marcos e Juan voltam a Berta. Ela conta que a família tem também a folha verdadeira e aceita vendê-la por 250 mil dólares, em dinheiro, na hora.
Os dois juntam o que têm. Marcos põe a maior parte, economias de anos de golpe. Juan entra com o dinheiro que tinha guardado, e Berta entrega a folha original.
Gandolfo aceita a peça verdadeira, mas faz uma exigência: quer passar a noite com Valeria. Ela topa com uma condição própria: Marcos tem de confessar ao irmão caçula, Federico, que ficou sozinho com a herança dos avós.
Marcos confessa. Gandolfo paga com um cheque administrativo, emitido pelo próprio banco, e a dupla deixa o hotel de madrugada com o papel no bolso.
Bielinsky filma quase tudo na rua, com a câmera perto dos rostos. Darín fala rápido, gesticula e mente com a calma de quem pede um café. Pauls responde com o olhar de aprendiz que anota cada lição.
O roteiro acompanha o dia pelos olhos de Juan. O espectador sabe o que ele sabe, e cada trapaça que Marcos ensina ao parceiro treina também quem está no sofá a desconfiar de todo mundo em cena.
|
|
|
|
|
II Se a Noite Pedir Outra Coisa
II, Um golpe com trilha de ragtime e outro na floresta da Patagônia
|
|
As duas saídas desta noite giram em torno de um plano de assalto montado em detalhe, uma na Hollywood dos anos 1970 e outra no cinema argentino do próprio Bielinsky.
Se a noite pedir um clássico, o programa é Golpe de Mestre, título original The Sting, de George Roy Hill, 1973, 129 minutos, disponível no aluguel digital. Play às 20h30 e ponto final às 22h39.
Robert Redford é Johnny Hooker, trapaceiro de rua em Joliet, Illinois, em 1936. Um golpe dele atinge sem querer o mensageiro de Doyle Lonnegan, chefão do crime vivido por Robert Shaw, e o parceiro de Hooker é morto a mando de Lonnegan.
Hooker procura Henry Gondorff, vivido por Paul Newman, mestre do golpe longo (a trapaça que leva dias de preparação). Os dois montam uma casa de apostas falsa, com figurantes, telégrafo e locutor, só para arrancar o dinheiro do chefão.
|
Golpe de Mestre ganhou 7 Oscars na cerimônia de 1974, entre eles melhor filme. A trilha adapta os ragtimes de Scott Joplin, compostos no começo do século 20, e o tema The Entertainer voltou a tocar nas rádios americanas.
|
O desfecho também engana quem assiste: o tiroteio final faz parte do teatro, e o agente do FBI que persegue Hooker durante o filme é mais um ator contratado por Gondorff.
Se a noite pedir mais Darín, o programa é O Aura, título original El Aura, de Fabián Bielinsky, 2005, 134 minutos, disponível no aluguel digital. Play às 20h30 e ponto final às 22h44.
Darín vive Esteban Espinosa, taxidermista (quem empalha animais para museus) de Buenos Aires. Ele tem epilepsia e passa as horas livres imaginando assaltos perfeitos que nunca executa.
Numa viagem de caça às florestas da Patagônia, um acidente põe nas mãos dele o plano real de um assalto ao carro-forte de um cassino. Antes de cada crise, Esteban sente a aura, o aviso do cérebro que dá título ao filme, e perde segundos de consciência no meio da ação.
O Aura foi o segundo e último longa de Bielinsky. O diretor saiu de cena em 2006, aos 47 anos, sem rodar um terceiro filme.
Regra de bolso: se a casa quer riso e chapéu de feltro, vá de Golpe de Mestre. Se quer silêncio, frio e um plano que escapa das mãos de quem o imaginou, vá de O Aura.
|
| |
|