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As duas saídas desta noite ficam em família: o filme que o tio de Mati Diop rodou em Dakar em 1973 e o documentário que deu a ela o maior prêmio de Berlim.
Se a noite pedir a raiz, o programa é Touki Bouki, de Djibril Diop Mambéty, 1973, 85 minutos, disponível em plataformas de filmes clássicos. Play às 20h30 e ponto final às 21h55.
Mory, um vaqueiro, e Anta, uma estudante, cruzam Dakar numa moto com um chifre de boi preso ao guidão. Querem pegar o navio para Paris e aplicam pequenos golpes para pagar a passagem.
O título, em uolofe, quer dizer a viagem da hiena. Mambéty montou o filme aos saltos, com sons fora de lugar e cortes bruscos, e a obra virou referência do cinema africano.
Atlantique conversa direto com ele. Em Touki Bouki, os jovens sonham em partir; em Atlantique, partiram e voltaram como espírito. Em 2013, Mati Diop dirigiu o média-metragem Mil Sóis, sobre Magaye Niang, o ator que fez Mory, quarenta anos após as filmagens.
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A cópia restaurada de Touki Bouki, feita pela World Cinema Foundation de Martin Scorsese, estreou em Cannes em 2008 e devolveu o filme às salas da Europa e dos Estados Unidos.
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Se a noite pedir história real, o programa é Dahomey, de Mati Diop, 2024, 68 minutos, disponível no aluguel digital. Play às 20h30 e ponto final às 21h38.
O documentário acompanha 26 tesouros reais do antigo reino de Daomé, levados por tropas francesas em 1892 e devolvidos pela França ao Benim em novembro de 2021.
Uma das peças, a estátua do rei Ghezo, narra o filme em fon (língua do sul do Benim), numa voz grave sobre a tela escura. Ela fala do exílio no porão de um museu em Paris e da viagem de volta num caixote.
Depois, estudantes da Universidade de Abomey-Calavi discutem em sala se 26 peças bastam diante dos milhares de objetos que continuam em museus franceses. A conversa é o coração do filme.
Dahomey venceu o Urso de Ouro, prêmio principal do Festival de Berlim, em fevereiro de 2024. Foi o segundo grande prêmio europeu de Mati Diop em cinco anos.
Regra de bolso: se a casa quer ritmo, moto e cidade em movimento, vá de Touki Bouki. Se quer entender quem guarda a história de um povo, vá de Dahomey.
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