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O programa de hoje é Quero Ser John Malkovich, disponível em serviço por assinatura e também por aluguel avulso nas lojas digitais, 112 minutos. Play às 20h30 e ponto final às 22h22. Direção de Spike Jonze, roteiro de Charlie Kaufman, produção norte-americana de 1999, quase sempre em versão legendada.
John Cusack faz Craig Schwartz, titereiro (o artista que manipula bonecos de fio e de vara) sem público e sem dinheiro. Cameron Diaz faz Lotte, mulher dele, que cuida de um pequeno zoológico dentro do apartamento. Catherine Keener faz Maxine Lund, colega de escritório de língua afiada, Orson Bean faz o doutor Lester, dono da empresa, e John Malkovich faz uma versão pública de si mesmo.
A abertura gasta cinco minutos com bonecos. Craig apresenta na rua a Dança do Desespero e Desilusão, número adulto demais para a calçada, e apanha do pai de uma criança que assistiu. O filme avisa logo que o assunto da próxima hora e meia é gente manipulando gente.
O emprego vem por causa dos dedos. A LesterCorp contrata Craig para arquivar fichas pela rapidez das mãos, a recepcionista Floris entende errado cada frase que ouve e ninguém no andar acha estranho trabalhar curvado oito horas por dia.
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A cena que organiza o filme inteiro dura pouco mais de um minuto. Craig empurra um arquivo, entra de barriga num túnel úmido atrás da parede, é sugado para dentro e abre os olhos vendo as mãos de John Malkovich segurarem o jornal no café da manhã. Quinze minutos depois ele cai na vala ao lado da via expressa de Nova Jersey, com terra na roupa e nenhuma prova do que viveu.
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Maxine monta o negócio na mesma noite. Ela cobra duzentos dólares por visita, e a fila se forma no corredor do andar sete e meio depois do expediente. Cada cliente sobe para ser outra pessoa por um quarto de hora e volta reclamando do trajeto de Nova Jersey de madrugada.
Lotte entra no túnel e sai decidida a viver como homem. Maxine se interessa por ela justamente quando Lotte está dentro do ator, e o triângulo passa a funcionar com três pessoas e um corpo só. Craig, que treinou a vida inteira para mover bonecos, descobre que consegue comandar os braços e a boca de Malkovich, e deixa de ser passageiro para virar condutor.
O doutor Lester explica a regra do corpo. Ele tem 105 anos, já mudou de pele outras vezes, e conta que um receptáculo (o corpo que serve de porta) só aceita hóspede novo na véspera do aniversário de 44 anos do dono; quem entrar depois da hora fica preso lá dentro, enxergando tudo sem comandar nada. Ele e um grupo de idosos reservaram lugar no ator.
Carter Burwell escreveu a trilha, e Charlie Sheen aparece como ele mesmo, ouvindo as queixas do amigo sobre a passagem sem acreditar numa palavra. O filme teve três indicações ao Oscar em 2000, por direção, roteiro original e atriz coadjuvante para Catherine Keener, e saiu sem estatueta.
O fim cumpre a regra à risca. Craig larga o corpo do ator para correr atrás de Maxine, perde a hora e o grupo do doutor Lester toma o lugar; ele acorda atrás dos olhos de Emily, filha pequena de Lotte e Maxine, condenado a ver a vida dela crescer sem mover um músculo. A última imagem é a menina numa piscina, vista por dentro.
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