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Um documentário de Detroit e Ciudad del Cabo, em 86 minutos.
Um estúdio de reencontro em Havana, em 105 minutos.
O programa de hoje é Procurando Sugar Man, disponível por aluguel avulso nas lojas digitais, 86 minutos. Play às 20h30 e ponto final às 21h56. Falado em inglês, direção do sueco Malik Bendjelloul, documentário lançado em 2012.
O filme parte de Ciudad del Cabo, onde um dono de loja de discos chamado Stephen Segerman e um jornalista musical chamado Craig Bartholomew Strydom passam anos tentando descobrir quem era o autor de dois álbuns que qualquer sul-africano de classe média reconhecia de ouvido.
O artista assinava Rodriguez. Nasceu em Detroit, filho de imigrantes mexicanos, e gravou dois discos no início dos anos 1970 pela mesma dupla de produtores que trabalhava com nomes grandes da Motown. Cold Fact saiu em 1970, Coming from Reality no ano seguinte, e as vendas americanas foram tão baixas que a gravadora encerrou o contrato.
Na África do Sul o resultado foi o oposto. As canções pegaram no meio universitário branco de oposição ao regime, algumas faixas entraram na lista de material proibido pela rádio estatal, e o disco alcançou circulação comparável à dos grandes lançamentos internacionais no país.
A investigação começa pelo material impresso. Os dois recolhem cada versão de encarte que encontram, comparam créditos, cruzam nome de produtor e de editora, e escrevem cartas para endereços de gravadora que já não existiam mais.
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"Um disco é um documento, e todo documento tem procedência."
Robert Christgau, Christgau's Record Guide, 1981
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A virada da pesquisa vem de uma letra. Uma canção cita um trajeto urbano com nome de rua, o detalhe indica uma cidade específica dos Estados Unidos, e a partir daí a busca sai do campo do boato e vira endereço a conferir.
O que a dupla enfrenta antes disso é uma coleção de versões inventadas. Circulavam pelo menos três relatos diferentes sobre o fim do artista, todos dramáticos, todos repetidos como fato por gente que nunca tinha checado nada, e nenhum deles se sustentou.
A segunda metade do filme troca a investigação pela consequência. As entrevistas passam a ouvir os produtores americanos, o executivo da gravadora e as filhas do músico, e a conversa se desloca para uma pergunta bem concreta: o dinheiro das vendas sul-africanas foi para onde.
O documentário levou o Oscar de melhor documentário em 2013 e o BAFTA da mesma categoria. Parte do material foi filmada em Super 8, e algumas sequências acabaram finalizadas em aplicativo de celular por falta de orçamento, detalhe que o próprio diretor comentou em entrevistas da época.
Para a noite, o encaixe é direto. A sessão começa às 20h30, o filme não exige conhecimento prévio de música americana dos anos 1970, e a luz acende às 21h56 com tempo de sobra para procurar o disco em qualquer serviço de streaming de áudio.
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