A resposta de ontem Para onde foi a estátua de Rocky quando saiu da escadaria? A estátua foi para o Spectrum, a arena esportiva do sul de Filadélfia, onde ficou por anos na calçada da entrada. Em setembro de 2006, a prefeitura a devolveu ao museu, agora num pedestal no pé da escadaria, à direita de quem sobe, onde os turistas fazem fila para a foto de braços erguidos. |
O programa desta noite é O Abraço da Serpente (El Abrazo de la Serpiente), drama de aventura dirigido por Ciro Guerra, lançado em 2015, com 125 minutos. Play às 20h e créditos finais às 22h05.
Guerra tinha feito antes A Sombra do Caminhante, de 2004, e Os Viajantes do Vento, de 2009. O Abraço da Serpente foi o terceiro longa dele e o primeiro rodado na selva.
Na viagem de 1909, Theo (Jan Bijvoet), versão de cinema de Koch-Grünberg, chega à aldeia do jovem Karamakate (Nilbio Torres) quase sem forças. Quem o leva é Manduca (Yauenkü Miguee), um indígena que trabalhou nos seringais e aprendeu o espanhol dos patrões.
Karamakate desconfia dos dois. O povo dele foi atacado pelos seringueiros, e ele vive sozinho na floresta. Aceita guiar o alemão por um motivo: Theo diz saber onde ainda vivem sobreviventes da tribo do xamã.
A planta das flores brancas
O remédio para a febre de Theo, segundo Karamakate, é a yakruna, uma planta sagrada de flores brancas que só cresce no alto do rio. O roteiro inventou o nome e a espécie, mas o gesto é o de muitos povos da região: a planta é cultivada, guardada e nunca vendida.
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Karamakate guia o alemão para salvar a vida dele e, ao mesmo tempo, recusa entregar a ele o saber da floresta.
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A tensão aparece em pequenas cenas. Numa aldeia, Theo dá falta da bússola e exige de volta o objeto, que um morador pegou. Karamakate o repreende: aquele povo se orienta pelas estrelas e pelo vento, e com a bússola esqueceria o céu.
Em outra parada, Karamakate proíbe Theo de comer peixe fora da época certa. Theo, faminto, come escondido, e o xamã trata a desobediência como ofensa ao rio.
A viagem passa por uma missão católica onde um frade cria meninos órfãos dos seringais. Ele os proíbe de falar a própria língua e os castiga com chicote quando falam. Karamakate canta para os meninos na língua deles antes de seguir viagem.
Mais adiante, um seringueiro mutilado, sem um braço, pede ao grupo que o tire do sofrimento. A cena dura poucos minutos e resume o que a borracha fez com a região no começo do século 20.
O título vem da origem que Karamakate conta para o rio: a serpente que desceu da Via Láctea e deixou o corpo na terra. Na mitologia que o filme recria, os rios da Amazônia são o rastro dela.
Quando enfim chegam ao lugar da yakruna, a planta já foi tomada. O xamã vê o que os outros fizeram com ela e decide o destino das últimas flores com as próprias mãos.
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“O conhecimento pertence a todos.” (Theo, em O Abraço da Serpente, 2015)
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A frase é do alemão, e Karamakate responde a ela com o fogo. O filme não absolve nenhum dos dois.
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