A resposta de ontem De qual conto saiu a história de Janela Indiscreta? Do conto It Had to Be Murder (em português, tinha que ser assassinato), de Cornell Woolrich, publicado na revista Dime Detective em fevereiro de 1942. No texto original, o vizinho que espia não tem namorada nem enfermeira: as duas personagens foram criadas pelo roteirista John Michael Hayes para o filme. |
Na tela de hoje entra O Ódio, de Mathieu Kassovitz, de 1995, em preto e branco, com 98 minutos. Começa às 20h30 e os créditos sobem às 22h08.
Vincent Cassel faz Vinz, o mais raivoso dos três, que treina diante do espelho a fala de Robert De Niro em Taxi Driver (1976). Hubert Koundé é Hubert, o mais calado, que quer sair do bairro. Saïd Taghmaoui é Saïd, o que tenta manter todo mundo rindo.
Na confusão da madrugada, um policial deixou cair o revólver, um Smith & Wesson calibre 44. Vinz achou a arma no chão e escondeu na calça. Ele mostra a Saïd e jura: se Abdel morrer no hospital, mata um policial para empatar o placar.
Hubert não quer saber da arma. Para ele, a raiva de Vinz só serve para dar aos policiais o motivo que eles procuram.
O dia contado no relógio
O roteiro segue o grupo de manhã até a madrugada seguinte. No bairro, eles tentam visitar Abdel no hospital e são barrados, discutem com a polícia no telhado e ouvem um DJ do conjunto mixar rap francês com Édith Piaf numa janela aberta.
Essa cena do DJ virou a imagem mais citada do filme. A câmera sai pela janela, sobe e sobrevoa os prédios enquanto a música enche o pátio vazio.
À tarde, os três pegam o trem para Paris atrás de um traficante chamado Astérix, que deve dinheiro a Saïd. Na capital, Hubert e Saïd são presos, e dois policiais humilham os rapazes na delegacia para ensinar um novato a interrogar. Vinz escapa.
Quando saem, já perderam o último trem. A noite inteira passa em Paris, sem dinheiro e sem lugar para dormir.
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Numa rua do centro, Vinz encosta o revólver na cabeça de um skinhead caído, e Hubert manda que ele atire, para provar a si mesmo que não é capaz.
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Vinz não atira. O skinhead é vivido pelo próprio Kassovitz, numa ponta rápida.
“É a história de uma sociedade que cai e que, enquanto cai, repete para se acalmar: até aqui, tudo bem” (Hubert, narração final de O Ódio, de Mathieu Kassovitz, 1995).
De volta ao conjunto, perto das seis da manhã, eles sabem pela televisão que Abdel morreu. Vinz entrega o revólver a Hubert. Minutos depois, um policial à paisana agarra Vinz, a arma do policial dispara por acidente e Vinz cai morto na calçada.
Hubert aponta o revólver para o policial, o policial aponta a arma para Hubert, Saïd fecha os olhos e a tela escurece com o som de um tiro. O filme não mostra quem atirou, e Kassovitz nunca respondeu.
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